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Entrevista da semana: Murilo Martha Aiello

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

Foi com simpatia e com olhar de quem tem muita experiência e histórias para contar que Murilo Martha Aiello relembrou alguns de seus melhores momentos e falou sobre suas atividades atuais.

Advogado há quase meio século, "seo" Murilo sempre teve a vida social agitada pela participação em clubes como o Rotary e o BTC, além de ser engajado nos trabalhos da Legião Mirim, da qual é o atual presidente. "Eu gosto mesmo é de estar com gente. A amizade para mim é tudo, viu. É aquele complemento que não pode faltar".

Vice-presidente do Rotary Club, presidente do Conselho Deliberativo do BTC e diretor do Departamento de Xadrez, também do BTC, o entrevistado consagrou o seu nome no xadrez, prática que aprendeu ainda na infância com o pai e que lhe rendeu o título de "Melhor Enxadrista do Interior" pela Academia Capablanca de Xadrez, de São Paulo. Como empresário, ele constituiu loteamentos considerados padrão na cidade, como Residencial Tívoli e Tívoli II, além de outras edificações na zona sul de Bauru.

Poliglota e incansável por adquirir conhecimento, Murilo Martha Aiello não dispensa as viagens, que sempre lhe rendem boas histórias e engrossam o seu caldo cultural.

"Caso pudesse voltar no tempo, com certeza eu faria tudo igual. Sou um homem feliz com o que tenho e com o que construí, mas ainda tenho muito a cumprir. Estas e outras histórias fazem parte da entrevista, cujos principais momentos estão registrados a seguir.


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?Jornal da Cidade - O senhor coleciona medalhas e troféus como enxadrista, não é mesmo?

Murilo Martha Aiello - (Risos) Meu pai jogava xadrez e, em 1957, eu participei do meu primeiro torneio, o Torneio de Capivaras. Fui campeão juvenil e, a partir de 1960, eu passei a defender Bauru em jogos abertos regionais. Eu tenho muitas medalhas e troféus, sim. Devo ter uma centena deles, não sei ao certo, mas recebi o título de "Melhor Enxadrista do Interior", pela Academia Capablanca de Xadrez, de São Paulo. Meu pai me ensinou as primeiras lições, depois fui para o clube, onde aprendi com as pessoas mais velhas. Primeiro eu joguei e, gradativamente, fiquei como técnico e como Diretor do Departamento de Xadrez, cargo que ocupo no Bauru Tênis Clube (BTC) desde 1972. Já escrevi sobre xadrez para o JC, sabia?

?JC - Então o xadrez fez do senhor uma espécie de jornalista especializado (risos)?

Murilo - (Risos) Eu tentava. Não digo uma coluna, mas eu tinha um espaço semanal no Jornal da Cidade, toda terça-feira, onde eu escrevia sobre os resultados do xadrez da semana. Eu também era chamado uma vez na semana para fazer a mesma coisa na rádio Auri-verde.

?JC - Além do xadrez, o que o menino Murilo fazia em Bauru?

Murilo - Ah, tempos bons aqueles. Eu gostava muito de jogar futebol de botão, bolas de gude... Tive uma infância normal e feliz. Também participava daquelas brincadeiras de rua, como pega-pega, por exemplo. Minhas lembranças são as melhores possíveis. Minha vizinhança era muito boa e podíamos brincar nas ruas. Até os meus 10 ou 12 anos, eu jogava futebol na rua 7 de Setembro e até na avenida Rodrigues Alves. Imagine uma coisa dessa hoje.

?JC - A escolha do direito para profissão foi feliz?

Murilo - Eu sempre trabalhei com o direito. Formei-me em 1965, então são mais de 45 anos advogando. Confesso que cheguei a fazer o curso científico. Naquele tempo, quem queria fazer uma faculdade na área de exatas fazia o curso científico, e para as humanas fazia o clássico. Então eu estava entre a advocacia e a engenharia. Porém, comecei muito cedo a trabalhar com meu pai no escritório, acho que aos 10 ou 11 anos, e fui gostando daquilo que eu fazia. Foi o que me fez pender para o direito e, graças a Deus, não me arrependo, não. Agora estou diminuindo as atividades.

?JC - O senhor é o atual presidente na Legião Mirim de Bauru. Quais são os frutos que já colheu e ainda colhe com esse trabalho?

Murilo - A Legião se destina a jovens e a finalidade é, basicamente, tirar o menino das ruas e dar um horizonte para ele, o primeiro emprego. Com 51 anos de trabalho, hoje o padrão é melhor. Há tempos, nós recebíamos meninos que não sabiam nem ao menos pegar em um garfo e uma faca. Enfim, eles não dominavam nem as lições mais básicas, como cumprimentar as pessoas, por exemplo. Hoje, graças a Deus, a situação é melhor, mas aprender a trabalhar é uma coisa que eles ainda fazem lá. Temos vários cursos e monitores e vemos que realmente nosso trabalho dá resultados. Mais de 30 mil jovens de Bauru já passaram pela Legião Mirim e a maioria deles está bem encaminhada.

?JC - Imagino que deva ser grande a emoção de encontrar esses meninos já homens e bem encaminhados...

Murilo - Nossa, e como. Temos muitos homens que ocupam cargos de respeito atualmente e que começaram suas vidas profissionais na Legião Mirim, inclusive vereadores de Bauru. Temos um grande orgulho em dizer que colaboramos com o encaminhamento dessas pessoas para o bem.

?JC - O Rotary Club faz parte de sua história há quanto tempo?

Murilo - Atualmente sou vice-presidente do Clube, mas já fui presidente, governador assistente, presidente de várias comissões distritais...Essa é uma parte interessante da minha vida que começou em 1975. Basicamente, o Rotary se destina à prestação de serviços para a comunidade. É aquela história de dar o anzol para pescar o peixe. Por exemplo, Bauru mantém a Legião Mirim. Em caráter internacional, o Rotary lidera a tentativa de exterminar a poliomielite. Em 1985, o então presidente do Rotary colocou uma meta de erradicar a polio até 2005, ano do centenário do Clube. Graças a Deus, atualmente isso está quase feito. Não se conseguiu isso em apenas quatro países por questão de guerra interna. São eles: Sudão, Afeganistão, Paquistão e algumas regiões da Índia que fazem fronteira com o Paquistão.

?JC - O senhor também é o presidente do Conselho Deliberativo do BTC. Ter uma vida social agitada é fundamental na sua rotina?

Murilo - Eu participo do conselho do BTC desde 1976 e fui galgando vários postos ao longo desses anos. É, eu gosto mesmo é de estar com gente. Gosto muito de estar rodeado pela família e amigos. A amizade para mim é tudo, viu. É aquele complemento que não pode faltar. É interessante que os amigos não são idênticos à gente, mas nos completam. É a mesma situação da esposa, que completa o homem. Então, viver cercado de pessoas queridas é fundamental. Acho até que posso dizer que os amigos realmente são a família que você pode escolher.

?JC - Viagens também fazem parte do roteiro de sua vida?

Murilo - Ah, fazem. Eu adoro viajar. Conheço muitos países, praticamente toda a Europa, com exceção de alguns poucos lugares. E é assim, quando viajo, eu realmente o faço para conhecer os países, e não somente as suas capitais. Gosto de viajar pelo Interior. Já fui seis vezes para a Alemanha, quatro para a França? Acredito que conhecer a história e a cultura dos povos é algo fundamental. No ano passado estivemos na Turquia e lá tem cinco mil anos de história. Tenho três possíveis próximos roteiros. Um é a Romênia e a Bulgária, outro seriam os países bálticos e Rússia e o terceiro seria o Canadá, país do qual eu conheço apenas a costa leste. Só não viajo mais porque ainda trabalho e por questões financeiras (risos).

?JC - Deve o fato de ser poliglota às viagens?

Murilo - Falo seis línguas: português, inglês, francês e espanhol, em segundo plano italiano e alemão. Basicamente aprendi essas línguas por causa das viagens, sim. O alemão, por exemplo, aprendi porque eu percebi que o turista do leste europeu se comunicava melhor sabendo alemão do que o próprio inglês, isso ainda na época do "Muro de Berlim".

?JC - E por que tanto fascínio pela Alemanha, onde já esteve por seis vezes?

Murilo - O alemão é certinho, correto, tem palavra, pontualidade e uma série de outras coisas que me agradam, apesar de eu não ter qualquer descendência alemã. Quando viajo, algo que eu admiro em alguns povos e sinto falta nos brasileiros é a pontualidade e o cumprimento do prometido. Já o coração do brasileiro é o maior. O nosso povo tem mais sentimento, fazemos amizade com muita facilidade... Você vai em um campo de futebol e o camarada que está do seu lado já vira um amigo de longa data (risos).

?JC - O senhor agradece a Deus por muita coisa. É um homem religioso?

Murilo - Sim. Sou um católico além da missa. Um católico que não é só de missa é aquele que dá o exemplo, ou seja, tem atitude e fé cristã. Apesar de ser católico, eu aceito todas as religiões, tanto é que a pessoa mais santa que eu conheci foi um líder espírita.

?JC - Projetos para curto ou longo prazos definidos?

Murilo - Bom, em primeiro lugar eu pretendo cumprir o já planejado na Legião Mirim, Rotary Club, BTC... Quando a gente chega em uma certa idade, a gente também olha muito para aquilo que faz os filhos e os netos, então, talvez o meu projeto principal seja cuidar para que os filhos e os netos se realizem, contribuir para que eles consigam atingir suas metas e objetivos. Tenho certeza de que tive uma ótima criação e espero que eu esteja passando para eles aquilo que eu recebi.

?JC - Faria tudo outra vez?

Murilo - Caso pudesse voltar no tempo, com certeza eu faria tudo igual. Sou um homem feliz com o que tenho e com o que construí, mas ainda tenho muito a cumprir. Sempre faço planos para o futuro e acho que é isso que vai mantendo a gente firme. Caso você me perguntasse quais são ou foram os alicerces da minha vida, eu diria que foi a minha família inicial e são a família que eu construí e os meus amigos. Tenho uma propensão, no que está ao meu alcance, a sempre construir a paz.


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Nome
Murilo Martha Aiello

Idade:
68 anos

Local de Nascimento:
Bauru

Signo:
Leão

Esposa:
Zuleika

Filhos:
Paulo José, Ana Lúcia e Cristina, além de quatro netos: Marina, Ana Carolina, Heloísa, João Rafael e João Lucas

Hobby:
Xadrez, cinema e viagens

Livro de cabeceira:
Bíblia e atualmente estou lendo o livro "1822"

Filme preferido:
"Ben-Hur"

Estilo musical predileto:
MPB e música clássica

Time:
São Paulo e Noroeste

Para quem dá nota 10:
Para pessoas idealistas e altruístas

Para quem dá nota 0:
Aos egocêntricos e pessimistas

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