Na noite de sexta-feira, dia 21, por volta das 23h, estava voltando pra casa em um ônibus da linha "Câmpus - CTI". Logo que passamos em frente ao Habib?s, na avenida Nações Unidas, ouvi um barulho muito forte e me vi coberta por cacos de vidro. Uma moça gritava em desespero no fundo do ônibus: "É tiro! É tiro!". Quando o motorista conseguiu parar em um acostamento, logo após o viaduto, próximo ao supermercado Confiança Flex, foi possível verificar que alguém havia jogado uma pedra no vidro do ônibus - uma pedra grande e pesada, que veio com muita força e fez um rombo enorme no vidro. O motorista checou se todos estavam bem; se ninguém precisava de atendimento médico; e chamou a polícia.
O motorista de outro ônibus que passava a caminho do pátio, já sem passageiros, parou e se ofereceu para receber os passageiros e continuar o destino da primeira linha. Tirei algumas fotos, enquanto os poucos passageiros e o motorista confirmavam que haviam visto a pedra sendo atirada por alguém no meio da aglomeração de adolescentes em frente ao Habib?s. Sempre vejo forte policiamento quando passo por ali nas sextas-feiras à noite. Não sei dizer se naquele dia a polícia não estava presente. Tive a sorte de passar pelo local com os olhos fechados, refletindo sobre o meu dia. Digo sorte porque só tive que retirar estilhaços de vidro do braço.
O rapaz ao meu lado, sentado no banco logo abaixo do vidro estraçalhado, também teve a sorte de só ter sido atingido pelos cacos no canto do rosto. Penso que a grande pedra só não atingiu o rosto dele - ou o meu - porque deve ter batido em um pilar de apoio para passageiros em pé. Ainda por sorte, havia poucas pessoas no ônibus e ninguém mais se feriu. O azar geral foi a experiência pela qual todos passaram - de perigo, vandalismo, falta de bom senso e humanidade. Fiquei triste por notar isso e imagino que os outros também.
Tássia Zanini - jornalista