Transferido no último dia 21 para a Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, Sandro Luiz Fernandes está em uma cela junto com outros presos. A informação foi obtida pela reportagem do JC com agentes da própria unidade prisional e confirmada posteriormente pela defesa do advogado acusado de molestar 5 pessoas, sendo duas jovens de 18 anos (que teriam sofrido os abusos entre 8 e 16 anos de idade), uma adolescente de 13 anos e um menino de 9 anos, todos de sua família, além de uma quinta suposta vítima que trabalhou em sua residência.
Nem defesa e nem administração penitenciária confirmaram com quantos detentos o advogado bauruense divide a cela, e limitaram-se a afirmar que cada uma delas recebe de dois a seis homens, independentemente dos crimes pelos quais respondem.
A informação de que Sandro estaria em cela individual, nas mesmas condições em que se encontrava em Barra Bonita, para onde foi levado após ter prisão preventiva decretada no dia 30 de setembro, veio do advogado de defesa Hélio Marcos Pereira Junior. Porém, ontem, ao ser questionado sobre as condições atuais de seu cliente, confirmou a informação de que, desde sua transferência, Sandro divide a cela com outros presos.
"Ele (Sandro) não está em cela individual. As celas de Tremembé abrigam de dois a seis detentos. Posso dizer, mais uma vez, que ele não está nas condições adequadas tanto pelas acusações que responderá, quanto à prerrogativa de ser advogado e ter direito a uma cela de Estado Maior", diz.
"Observação"
Um dos funcionários da P2 de Tremembé garantiu que, mesmo estando no chamado "período de observação", Sandro está em uma cela com outros detentos a desde sua chegada. "O período de observação quer dizer que o preso não recebe visitas, a não ser de seu advogado, e só pode deixar a cela quando chamado. Mas não temos aqui celas individuais, ele está no meio dos outros. Aqui todos os detentos estão no mesmo ?nível? que ele, são considerados especiais", diz.
O presídio Doutor José Augusto Salgado, também conhecido como Tremembé 2, recebe presos que costumam sofrer rejeição junto à população carcerária por estarem envolvidos em casos de grande repercussão ou por terem cometido crimes como pedofilia e estupro, de acordo com a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). São os casos de Alexandre Nardoni, acusado de matar a filha Isabella, e dos irmãos Cravinhos, condenados pela morte dos pais de Suzane von Richthofen.
Tentativa frustrada
No início desta semana o Tribunal de Justiça (TJ) do Estado de São Paulo negou o pedido de liminar impetrado pelos advogados de Sandro Fernandes para tirá-lo da cadeia. O objetivo da defesa era transferi-lo para uma sala de Estado Maior (sem grades), prerrogativa legal de réus que são advogados (como é o caso de Sandro), juízes e promotores.
Mas, como no Estado de São Paulo não existe uma dependência como esta, a intenção era de que ele pudesse ser mantido em prisão domiciliar até que o processo ao qual responde transitasse em julgado.
Porém, segundo a decisão do TJ, um dos motivos da negativa deve-se ao fato da defesa não esclarecer em sua requisição qual seria o "suposto constrangimento ilegal" que Sandro estaria sofrendo ao ser mantido em uma cela comum. "Estamos avaliando outras situações para poder tirá-lo de lá", limitou-se a dizer o advogado do acusado, Hélio Marcos Pereira Junior.
A esposa de Sandro, Fernanda Gomes Fernandes, que também teve a prisão preventiva decretada no dia 30 de setembro por haver indícios de que tenha sido conivente com os abusos, continua na Cadeia Feminina de Avaí.
A informação dos advogados de defesa e da própria penitenciária é de que ela segue isolada das demais detentas, em cela individual e sem o benefício do banho de sol.