Agudos (13 quilômetros de Bauru) inaugurou o transporte coletivo urbano gratuito logo após a eleição de 2000. O serviço foi implantado na gestão do então prefeito, hoje secretário de Obras, Carlos Octaviani. Ele confessa que foi buscar a ideia na cidade de Paulínia, região Campinas.
“Durante a campanha eleitoral de 2000, meu vice e eu fomos conhecer o transporte coletivo gratuito na cidade de Paulínia. Conhecemos o funcionamento e implantamos aqui. O custo é alto, oneroso para os cofres públicos. Assumimos um compromisso e estamos mantendo, vamos manter até quando for possível.”
Ele admite que os recursos financeiros gastos com o transporte gratuito poderiam ser direcionados para obras, mas enfatiza o caráter social. “Os benefícios do transporte gratuito são muitos. O cidadão deixa de pagar R$ 2,00 de ida e o mesmo valor para o retorno, são R$ 4,00. No final do mês são R$ 100 para comprar um sapato para o filho, uma blusa para a filha, uma comida melhor em casa.”
Para ele, esses trabalhadores que moram nos bairros mais distantes, Pampulha e Jardim Europa, cerca de três quilômetros do Centro, podem se deslocar tranquilamente porque contam com o serviço gratuito.
“Transportamos 10 mil pessoas/dia. O circular vai de um extremo ao outro da cidade. São oito ônibus.” Segundo ele, o deslocamento dos moradores aumentou o movimento no comércio local. “Eles usam os serviços oferecidos pelos comerciantes de Agudos. Isso é bom para a cidade. São 30 funcionários que trabalham no transporte, entre motoristas e mecânicos.”
Octaviani lembra que antigamente na cidade havia o transporte coletivo urbano privado.
“Tinha uma empresa que depois que os donos morreram, ficou muito mal. Antes dela deixar de fazer os serviços, nós assumimos. Uma outra empresa tentou explorar o transporte, mas desistiu.” (RCC)
Frota nova
Os primeiros ônibus que transportaram a população de Agudos eram semi-novos, mas no ano passado, o transporte foi reforçado com uma nova frota, segundo o secretário de Obras do município, Carlos Otaviani.
São os ônibus amarelo. “O atual prefeito Everton Otaviani comprou oito ônibus que chegaram para auxiliar os oito que eu havia adquirido. Os mais velhos serão vendidos. Os novos são adaptados para transportar deficientes, uma solicitação da população e do Ministério Público.”
Piratininga vai implantar circular em dezembro
A cidade de Piratininga (13 quilômetros de Bauru) nunca teve transporte coletivo urbano. Para se deslocar de um bairro a outro ou de um bairro para o centro comercial, os moradores que não possuíam veículos usavam o ônibus intermunicipal. Pagam uma tarifa em torno de R$ 2,70. A partir de dezembro, o gasto com o transporte municipal será uma responsabilidade da prefeitura.
O serviço gratuito vai beneficiar toda a população, especialmente aqueles moradores dos bairros mais distantes, Serra Pelada e um novo núcleo habitacional que será entregue em breve, distante do Centro da cidade em dois quilômetros. “Eu acredito que serão beneficiados cerca de mil pessoas,” estima o prefeito Odail Falqueiro.
Os custos do serviço gratuito vão custar aos cofres públicos algo em torno de R$ 100 mil ao ano, prevê o prefeito. “É um investimento que irá beneficiar os trabalhadores e toda a população. Piratininga nunca teve esse tipo de transporte. Vamos ter dois motoristas, combustível, férias que deve gerar esse investimento.”
Para o prefeito, vale a pena investir. “Eu acho que em função do crescimento da cidade, ela merecia esse serviço. São 116 anos de existência sem oferecer transporte coletivo urbano. Acredito que estou fazendo uma coisa positiva. O comércio local também vai gostar. Os trabalhadores poderão ir às compras, ao banco e até visitar amigos. É qualidade de vida.”
Falqueiro frisa que estará tirando do orçamento das famílias, o preço da passagem que eles pagavam para sair do bairro e se dirigir até o Centro da cidade. “Eles pagam a tarifa inteira, cerca de R$ 2,70 e não iam para Bauru, desciam no centro comercial.”
O prefeito ressalta que atende a uma antiga reivindicação dos moradores. “A população precisa se deslocar de um lugar para outro e aqueles que não possuem veículos acabam sofrendo. O transporte de estudantes quase sempre dava carona para as domésticas que saem dos bairros para trabalhar no Centro.”
Veículo passa por reforma
Para atender o transporte coletivo urbano, a prefeitura adquiriu um veículo com capacidade de transportar 40 passageiros sentados. O ônibus vai circular só dentro do perímetro urbano e passará por pontos de uma em uma hora. O horário inicial está previsto para as 7h e o término para as 20h.
“Vamos implantar os serviços nesse período, mas se houver necessidade de alterar, vamos fazer isso, desde que beneficie os usuários. O sistema é muito simples. Ele vai partir de próximo do Portal , núcleo Boa Vista e vai passando pelos demais pontos de parada, vai circular por outros núcleos. O importante é que a Câmara Municipal aprovou o transporte.”
O veículo, segundo o prefeito, é semi-novo e está em reforma. “O ônibus vai passar por consertos e pintura. Depois será ‘envelopado’ com fotos da cidade. Estamos escolhendo as fotos que possam retratar o que temos de melhor. Há moradores que não conhecem certos pontos turísticos que pretendemos mostrar.”
Mais de mil pessoas são transportadas por dia em Macatuba
Há sete anos, o transporte coletivo urbano foi implantado na cidade de Macatuba (46 quilômetros de Bauru). São dois veículos que circulam de hora em hora cortando a cidade de ponta a ponta. A avenida coronel Virgílio Rocha, que divide a cidade, é onde se encontra mais pontos de paradas.
Ana Souza Lima Turcarelli - responsável pelo departamento de transporte de Macatuba - explica que o circular tem pontos de paradas entre dois bairros para poder atender a demanda e facilitar o acesso.
“Ele circula de segunda a sábado de hora em hora. Nos domingos e feriados não oferecemos o serviço. Aqui os bairros mais distantes ficam a cerca de cinco quilômetros do centro comercial. São eles: Jardim Bocaiuva e Planalto.”
Para manter os serviços, a prefeitura investe cerca de R$ 10 mil/mês. “São 1.500 usuários transportados por dia. Os gastos mensais com quatro motoristas é em torno de R$ 7 mil. Um ônibus dia todo custa aos cofres públicos, aproximadamente R$ 2.280. O ônibus reforço, utilizado no horário de pico tem custo de R$ 1.200. Somados os gastos beiram R$ 10 mil.”
Quem usa?
Em Macatuba, o transporte coletivo urbano transporta principalmente trabalhadores e estudantes. A comerciária Júlia Belasco é uma usuária. Ela usa quatro vezes ao dia os coletivos que cruzam a cidade.
“Do bairro que moro até o meu trabalho deve ter cerca de quatro quilômetros. O ônibus passa no horário e eu me beneficio porque só assim posso almoçar em casa. Minha filha também trabalha e usa o transporte coletivo.”
Para ela, o circular aos sábados beneficia o comércio local. “Muita gente não trabalha aos sábados e aproveita para ir às compras. O comércio se beneficia disso.”
Segundo a responsável pelo departamento de Transporte da cidade, Ana Turcarelli, foram os comerciantes que solicitaram que o ônibus circulasse aos sábados. “Antigamente, os moradores embarcavam no ônibus para Lençóis e lá faziam suas compras. Era mais fácil o acesso para Lençóis do que para o centro comercial daqui.”