Foi por meio de denúncia que policiais militares da Base Comunitária de Segurança Oeste da Polícia Militar (PM) de Bauru chegaram a uma cena de horror na manhã de ontem. Em um terreno localizado na quadra 32 da rua Bernardino de Campos, Vila Jardim Celina, homens assistiam e mantinham brigas de galos em estado visível de maus-tratos. As oito aves apresentavam ferimentos por todo o corpo e uma delas estava quase morta dentro de uma caixa d'água.
Um dos policiais militares que atendeu a ocorrência, apoiada pela equipe da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam) da Companhia de Força Tática da PM, relatou à equipe de reportagem do JC que, quando chegaram ao local, por volta das 10h após denúncia anônima, dois galos brigavam dentro da caixa d'água. Um bicando diretamente a cabeça do outro.
Sete pessoas estavam assistindo às duas das aves agredirem-se, entre eles um adolescente de 15 anos. O restante das aves agonizavam amarradas a tripas de mico em locais separados. Todos os galos possuíam características de “galos de briga”: tinham as patas e o pescoço sem penas além de estarem com estas partes do corpo extremamente feridas.
Um borracheiro que tem um estabelecimento quase vizinho ao terreno onde a richa acontecia e também afirmou ser proprietário, assumiu ser dono de três das aves. Já um outro homem que não apresentou documentos à PM, é proprietário de outro galo. Uma terceira ave pertencia a um terceiro, que pediu sigilo da identidade à Polícia Civil por ser funcionário público.
A Polícia Científica foi acionada, compareceu ao local e, após perícia técnica, constatou os maus-tratos às aves. As sete pessoas que estavam no local foram detidas - sendo o adolescente apreendido -, e encaminhadas ao Plantão Policial de Bauru.
Lá, a autoridade plantonista ratificou o flagrante de crime ambiental por maus-tratos, artigo 32 da lei de crimes ambientais, a três acusados. Estes apenas assinaram Termo Circunstanciado (TC) por tratar-se de um crime de menor potencial ofensivo e foram liberados, por essa razão, os nomes não foram divulgados.
Os outros três homens e o adolescente foram ouvidos apenas como testemunhas e também liberados em seguida. Os galos foram depositados a um outro homem de identidade preservada, que, segundo o delegado de plantão, não tem nenhum vínculo com os acusados. O dinheiro e todo o material recolhido como esporas, analgésicos agulhas e linhas de sutura foram apreendidos.
Aves
Na borracharia de Sidnei Luis Augusto, 42 anos, a Polícia Militar Ambiental apreendeu 12 pássaros sendo três sangrinhos, quatro canários, dois curiós (ameaçados de extinção), duas coleirinhas e um trinca-ferro. Portanto a autoridade plantonista também o qualificou no artigo 29 da lei de crimes ambientais, já que ele não possui licença para manter as aves silvestres em cativeiro. (BD)