Apesar da inexistência de dados oficiais ? Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econônico e Bauru Convention & Visitors Bureau foram consultados -, sabe-se que o vaivém no meio acadêmico na cidade é muito forte. Quem tem a oportunidade de conhecê-la, consegue economizar.
É o caso do professor universitário uruguaio Maurício Vega, que, freqüentemente, participa de atividades acadêmicas vinculadas à Unesp/Bauru. Na última visita a Bauru gastou um terço menor dos cerca de R$ 200,00 diários estimados pela pesquisa. Entretanto, salienta ele, em contato com o JC de Montevidéu, onde mora, essa economia ocorreu devido a algumas exceções, como hotel com convênio para acadêmicos próximo à universidade, além de refeições sem custo. "Na última visita (semana retrasada) foram R$ 250 em três pernoites com café da manhã. Mas foi num hotel próximo à Unesp, com preço especial para a universidade, que é barato demais para os valores esperados", admite. "Também fui muito convidado a almoço e jantares", acrescenta.
Caso ficasse num hotel mais centralizado ? geralmente procurado por esse público ? ele desembolsaria em algo em torno de R$ 200 (valor médio independentemente ao estilo da suíte) por dia. Além das despesas extra, como deslocamento, por exemplo. E foi exatamente neste quesito que o acadêmico uruguaio achou os preços bauruenses um poucos salgados em comparação a outras cidades brasileiras. "Conheço a cidade e posso escolher opções convenientes, mas acho que alguém que não tem familiaridade pode pagar mais caro", acredita. "Sempre achei o valor do táxi caro, em todo o Interior de São Paulo", considera. "Hoje, em Montevidéu, pago R$ 8 por uma corrida similar em Bauru, onde paguei R$ 22", compara.
Relativo
Apesar dos gastos estimados, para estrangeiros, acompanharem a média nacional, tem gente que acha Bauru caro, ainda mais em comparação a outros países ainda mais pobres que o Brasil.
Vinda da Guiné-Bissau, nação da costa ocidental africana, Elisabete Augusto Ié é estudante do terceiro ano de Odontologia da Universidade Sagrado Coração (USC). Para ela, comparado ao país de origem, o custo de vida em Bauru é caro. "Em relação ao meu país é mais caro, o câmbio tem muita diferença", compara a universitária.
Em Bauru desde 2009, ela diz que sua prioridade, no momento, é retornar ao seu país de origem, que enfrenta dificuldades. "Meu sonho é aprender tudo o que eu conseguir para levar. Temos dificuldades com o governo, que não ajuda, não se acha emprego. Não há concurso público como aqui no Brasil", diferencia. No entanto, a estudante não descarta uma volta a Bauru para aprimorar a formação.
Um dos motivos, aponta, é a receptividade que encontrou. "Quando cheguei, sentia receios por ser negra e encontrar discriminação", confessa. "Eu ouvia, no meu país, de estudantes que já estiveram no Brasil, histórias de preconceito sentido aqui. Mas isso não existe para mim. Não sinto discriminação", elogia Elisabete.
Demanda cresce, mas mão de obra é escassa
Apesar do setor estar aquecido em todo o País, em Bauru especialmente no ramo de negócios (o que mais movimenta a economia, de acordo com recente pesquisa do Governo Federal) o Turismo ainda carece de profissionais.
Coordenadora do curso de Gestão de Turismo na USC, a professora Luciana Carneiro aponta que a situação em Bauru é reflexo do que acontece em todo o Brasil. Segundo ela, a carência de pessoal qualificado no setor aliada à saturação de outras áreas pode representar um interessante nicho para novos profissionais ou quem esteja disposto a mudar de carreira. "O turismo é uma atividade que se consolida no País como um importante vetor de desenvolvimento. Porém, apesar da existência de uma diversidade de recursos turísticos, a oferta brasileira ainda está carente de profissionalização", pontua, citando que o Brasil ocupa apenas a 45ª posição no ranking mundial de competitividade no setor, atrás de países como Malásia, Catar e Croácia. "Às portas com Copa do Mundo e Olimpíadas bem como todos os impactos diretos e indiretos gerados por estes grandes eventos mundiais, o Brasil é um país carente de mão de obra no promissor setor de turismo. A região de Bauru segue na mesma direção", completa Luciana. (LB)