Tribuna do Leitor

A responsabilidade do pedestre


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Gostaria de fazer uma séria crítica à reportagem feita por este JC no dia 26 de outubro, sobre o atropelamento e falecimento da sra. Aparecida Neide Albino Conegundes, ocorrido no último dia 25, caderno JC nos Bairros, página 8 da edição do dia 26. A reportagem, no início, falou que tanto na versão do motorista do ônibus que atropelou a sra. quanto a confirmada pela própria Polícia Militar, a quem cabe investigar o ocorrido, a pedestre, em um momento de aparente distração, atravessou a pista com o sinal verde para os veículos, saindo da frente de outro ônibus que estava parado no ponto, surgindo no meio da pista, não havendo nada que o motorista pudesse fazer.

 No entanto, depois a jornalista, ao invés de aproveitar a reportagem para alertar sobre os cuidados que os pedestres devem ter (não passar correndo na frente dos veículos, não atravessar a rua com o sinal verde para os veículos, observar o semáforo, enfim, diversas recomendações que poderiam ser feitas), acaba caindo em um lugar comum, de crítica à "imprudência e falta de paciência dos condutores". Mas a reportagem toda não falou que aparentemente a distração (infelizmente fatal) foi da pedestre? Por que então, de certa forma, acusar o motorista?

 É claro que em muitas situações a culpa realmente é do motorista, especialmente quando assumem o risco de dirigir em altíssima velocidade, após consumo de bebida alcóolica, o que vemos todos os dias nos jornais. Mas tratar sempre o motorista como vilão ou culpado é uma bobagem na qual infelizmente muitos analistas acabam caindo. O que vejo é que muitas vezes também nossos pedestres também se colocam em risco fatal, pelos mais diversos motivos, ou seja, tão importante quanto alertar os motoristas é também conscientizar os pedestres, o que não foi feito na reportagem.

 Para fechar o caso, darei apenas um exemplo: uma pessoa próxima a mim, excelente motorista, infelizmente se viu envolvida em um acidente devido à culpa exclusiva do pedestre. Meu amigo transitava por uma rodovia, de noite, dentro do limite de velocidade, quando um andarilho, completamente embriagado (constatado através de laudo toxicológico), adentrou cambaleando no leito da pista, tentando correr para a frente do carro do condutor. Infelizmente não houve tempo hábil para frear e o andarilho veio a óbito, mesmo após ser socorrido.

O condutor se viu envolvido em sérias dificuldades, tendo demorado um bom tempo até que o inquérito policial concluísse pela inocência do motorista, fora o trauma pelo qual a pessoa passou.

Há como se falar em imprudência do condutor nesta situação? Devemos tomar cuidado com os lugares comuns. Atenciosamente.


Priscila Monteiro Esponton

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