Em 1996, o livro "As cidades que deram certo: experiências inovadoras na administração pública brasileira", do cientista social Rubens Figueiredo e do cientista político Bolívar Lamounier, e prefaciado pelo americano Ted Gaebler, um dos maiores especialistas mundiais em administração pública, apontou oito cidades que se destacaram em várias ações. Num grupo formado pelas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Campinas, Osasco, Joinville, Campo Mourão, Bauru foi citada como uma "cidade que deu certo", pela experiência inovadora do programa de desfavelamento.
O programa tinha como qualidade mais atraente a participação popular no mutirão da construção e na distribuição de centenas de casas populares a favelados. Este fato ocorria em uma época onde os próprios autores apontavam que a Cohab local era "uma das maiores e mais bem-sucedidas do país". Hoje, a companhia habitacional que construiu milhares de casas em Bauru e região está na UTI, com "morte cerebral" diagnosticada, mantida viva por aparelhos.
Figueiredo e Lamounier não se cansam de tecer elogios à "noiva" pelas suas mais diversas virtudes, tais como: "Bauru é uma cidade com indicadores de qualidade de vida altos para os padrões brasileiros"; "cidade consolidada, ciosa de seu dinamismo"; "em Bauru, as coisas acontecem muito rapidamente", dentre outras.
Com relação à experiência citada no livro, ao que se sabe, ficou somente na experiência piloto, apesar do sucesso do programa na construção do novo bairro, com o decorrer do tempo, transformou-se o Núcleo Habitacional Fortunato Rocha Lima, em um dos mais violentos da cidade.
O livro aponta outro fato interessante: "historicamente, uma presença forte dos governos federal e estadual havia contribuído para estruturar a cidade". Saudades dos anos 1970 e 1980, onde tínhamos representantes nestas esferas. Faz muito tempo que não conseguimos mais eleger um deputado federal e há várias pleitos que só elegemos um único deputado estadual.
Estes fatos, aliados às outras experiências políticas muito mal sucedidas, em âmbito local, fizeram com que o bauruense perdesse a sua autoestima. No entanto, como que no ressurgir de Fênix, Bauru volta a fazer parte do noticiário de uma das principais mídias do país, como que por encanto. A revista Veja, em sua edição datada de 2 de novembro, lançou o Caderno Especial Cidades. Nesta publicação, tal como ocorrera há 15 anos atrás no livro, a revista aponta cidades que se destacaram em diversos aspectos socioeconômicos: emprego, ensino básico, internet, saneamento, criminalidade, renda, lixo, mortalidade infantil. Foram analisadas 106 cidades com mais de 200 mil habitantes, que abrigam 20% da população e 28% do PIB brasileiro.
Bauru foi citada entre as melhores em três dos oito quesitos avaliados. É a quarta melhor cidade no crescimento do emprego em 2010 comparado com 2009, com 13,7%. Bauru é a única cidade paulista entre as cinco melhores neste aspecto. As três primeiras são do Nordeste.
Bauru foi considerada, também, a quinta melhor cidade com 21,1 pontos de internet banda larga fixa por 100 habitantes. As quatro primeiras cidades são também paulistas. Nos outros itens avaliados, há que se ressaltar que Marília é a melhor cidade do Brasil em educação básica e a segunda em menor taxa de homicídios.
A Capital da Terra Branca é a quinta cidade brasileira com melhor saneamento básico, medido pelo total de população atendida, que chega a 98,5% das residências. Todas as demais cidades são paulistas.
Por mais que se possa contestar os critérios adotados para se ranquear qualquer escolha, não deixa de ser alvissareiro o reconhecimento da Bauru que amamos, colocada entre as melhores cidades com qualidade de vida no país. É provável que a auto-estima do seu povo venha, agora, a ficar novamente em alta.
O autor, Archimedes Azevedo Raia Jr., é mestre e doutor em engenharia de transportes pela USP, professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Urbana da UFSCar - e-mail: raiajr@ufscar.br