Neide Carlos |
|
|
Adesão à registro de B.O nas bases ainda é pequena |
A Polícia Militar (PM) de Bauru anunciou em março deste ano que iria começar a registrar boletins de ocorrência (BOs) para alguns casos específicos. Na ocasião, a medida nem bem começou e já foi suspensa para que fossem feitos alguns ajustes. Há dois meses, os registros recomeçaram, porém, até agora, apresentam números tímidos que não cumprem com o objetivo galgado de desafogar o Plantão da Polícia Civil. Ontem mesmo, um casal esperou 15 horas para registrar uma ocorrência (leia mais abaixo).
Segundo dados do próprio 4º. Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º. BPM-I), sem contar a Base de Trânsito do PM, que registra acidentes de trânsito sem vítimas, as setes bases da corporação em Bauru registraram apenas 107 ocorrências.
Os tipos de ocorrências que a PM pode registrar em BO são específicos. A facilidade vale apenas para furto de veículos, desaparecimento e encontro de pessoas, furto e perda de documentos, furto e perda de celulares e furto e perda de placas de veículos.
A promessa é de que, com a medida, houvesse uma divisão da incumbência, que antes era exclusividade da Polícia Civil, “desafogando” e, principalmente, agilizando o atendimento para a população, uma vez que reclamações são constantes.
Entretanto, o número apresentado no período compreendido entre 2 de setembro e o último domingo é pequeno. As estatísticas apontam que, juntando todas as sete bases, foram menos de dois registros por dia.
As bases Noroeste e Sudeste lideram, com, respectivamente, 37 e 30 registros. Depois, aparece a Sul, que registrou 19 ocorrências, e a Leste, com nove BOs. Já as bases Norte e Oeste registraram apenas seis casos, enquanto a Sul não teve quaisquer boletim confeccionado na unidade.
Questionado sobre tais números, o tenente-coronel Nelson Garcia Filho, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), afirma que já esperava essa quantidade pouco expressiva.
“A população demora para se acostumar com medidas novas. Por isso, é bom haver divulgação sempre. Entendemos que essa pouca procura é porque muitas pessoas ainda não sabem que passamos a registrar esses BOs específicos”, afirma.
Localizações
Em relação à diferença no número de registros de cada base, o comandante Garcia acredita que isso seja motivado justamente pela localização das unidades. “A Base Centro é um exemplo disso. Como é muito perto do Plantão, as pessoas preferem fazer o registro na Polícia Civil. Por isso, não foram feitos BOs na unidade”, explica.
E, mesmo com poucos registros, o tenente-coronel Nelson Garcia Filho acredita que, futuramente, outros tipos de ocorrências também poderão ser registrados pela PM. “Nossa intenção é ajudar no registro. Então, a pessoa que tiver algum problema que se enquadre no que podemos fazer o BO, pode procurar nossas bases”, completa o comandante do 4º BPM-I.
Delegacia eletrônica
Os mesmos tipos de ocorrências que a Polícia Militar (PM) está autorizada a registrar podem ser elaborados por meio da Delegacia Eletrônica. Nela, o BO pode ser feito pela Internet por meio dos sites www.ssp.sp.gov.br/bo e www.policia-civ.sp.gov.br .
Em matéria publicada pelo JC, a Polícia Civil afirmou que o Plantão Policial registra cerca de 1.200 a 1.300 boletins de ocorrência (BO) por mês, sendo que, entre 15% e 20% de todo esse montante corresponde aos que podem ser feitos pela Internet, o que desafogaria a espera pelo atendimento na delegacia na mesma porcentagem.
Casal demora 15 horas para registrar ocorrência
E se o objetivo da Delegacia Eletrônica e dos os registros feitos pela Polícia Militar (PM) seria o de desafogar o Plantão Policial, a medida ajudaria muito a população. Que o diga Edson de Moura Lima, 28 anos, que reclama ter esperado junto da esposa cerca de 15 horas para registrar um roubo em sua casa.
O casal foi surpreendido por um adolescente armado com uma faca que invadiu a residência em que moram por volta das 17h30 de anteontem, na Vila São Paulo. Após o roubo, ele tentou fugir, porém, foi abordado por vizinhos.
Entretanto, o que parecia ser o alívio do casal se transformou em uma longa espera. “Estamos aqui (no Plantão Policial) há mais de 15 horas. Isso é um absurdo”, contou Edson Lima, que conseguiu registrar a ocorrência somente no dia seguinte às 9h da manhã.
O delegado seccional de Bauru, Marcos Mourão, afirma que o caso é atípico. “Temos reclamações de demora, mas algo assim é a primeira vez que tenho notícias desde que estou aqui, há três meses. Tivemos alguns flagrantes sendo registrados ontem, porém, essa espera não é normal. Iremos averiguar”, promete o delegado.
Em relação aos BOs feitos pela Polícia Militar (PM), ele é otimista, porém, revela que, “até agora, não sentimos efeito. A tendência é que o quadro melhore mais para frente”.
