Bairros

Dengue: infestação abaixo do padrão

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Neide Carlos

As equipes da Saúde continuam fazendo vistorias nas casas para combater criadouros

Apesar da dengue não dar trégua em Bauru, mesmo com um inverno bastante frio e seco, o Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa) realizado em outubro por 12 agentes de controle de endemias da Secretaria Municipal da Saúde mostrou que a infestação pelo mosquito está abaixo do padrão nacional na cidade. O Ministério da Saúde prevê margem de 4% a 5% de residências com larvas do aedes, sendo que Bauru registra, no momento, média de 1,1%.

O Liraa foi realizado entre os dias 1 e 31 de outubro deste ano. De acordo com Mário Ramos, coordenador da megaoperação de combate contra a dengue e médico veterinário, o período é escolhido por se tratar de uma transição entre a seca e a estação chuvosa da primavera.

Apesar de, na concepção de Ramos, o resultado “não ter sido ruim e o ideal devesse ser zero”, a preocupação com a infestação continua, já que o vírus continua sendo transmitido e o número de casos não cessa.

O último registro da doença foi no dia 25 de outubro, segundo a Secretaria Municipal de Saúde informou através da assessoria de imprensa. Portanto, até o momento, Bauru soma 4.334 casos autóctones de dengue e seis importados, com seis mortes - sendo três por dengue hemorrágica.

Curiosamente, no ano de 2010 o mesmo levantamento feito também no mês de outubro indicou que do total de residências vistoriadas - próximo ao número deste ano -, 2,18% apresentavam larvas do mosquito Aedes aegypti. Entretanto, no ano todo foram registrados apenas 648 casos da doença.

“Este procedimento é feito por amostragem. É como um índice de Breteau mais avançado. São sorteadas as residências de diversos bairros da cidade e feita a pesquisa de quais delas possuem larvas do mosquito. A partir daí é possível definir o índice de infestação”, explicou Mário Ramos.

 


Varredura


Para conseguir realizar o índice de infestação, 12 agentes de controles de endemias fizeram uma varredura em diversos bairros de Bauru, que foi dividida em 12 áreas. O segmento com maior índice de infestação foi a área 3, na qual 3,8% das residências possuíam larvas do mosquito.

Esta área compreende os bairros Vila Independência, Jardim Terra Branca, Jardim Eugênia, Jardim Solange, Vila Santista, Vila São Francisco, condomínio Jardim Shangri-lá e Jardins do Sul.

A segunda área do ranking com maior registro de presença do aedes em residências é a de número 2, que abrange os bairros Altos da Cidade, Vila Santa Clara, Jardim Estoril, Residencial Tívoli, Vila Serrão, Jardim Aeroporto, Jardim Europa, Residencial Villagio, residenciais Samambaia e Paineiras, Vila Aviação e Jardim Marabá. No total, 2,2% destas residências vistoriadas apresentavam larvas.

Já a área com apenas 0,1% das residências comprometidas é a 11, composta pelos bairros Vila Cardia, Jardim Cruzeiro do Sul, Jardim Marambá, Guadalajara, Jardim Redentor, Núcleo Presidente Geisel, Parque das Camélias, Jardim Nicéia, Jardim Colonial, Vila Coralina, Parque Paulista, Jardim Contorno, Vila Engler, Jardim Santos Dummont e Vila Aviação 2.

 

Fiscalização

Por conta do grande número de casos de dengue, que não deixam de aparecer esporadicamente mesmo com o clima seco, os agentes de controle de endemias da Secretaria Municipal de Saúde continuam a vistoriar os imóveis. É importante que a entrada dos agentes seja permitida nos imóveis. A resistência pode acarretar em multas que variam de R$ 250,00 a R$ 2.500,00.

As nebulizações individuais, feitas pelos agentes de controle de endemias da Divisão de Vigilância Sanitária, continuam nos bairros em que os casos começam a aparecer com mais incidência.

“O nosso medo é esse. Apesar de estarmos com o índice baixo, a transmissão do vírus continua e ainda tememos a chegada do vírus 4, porque as pessoas ainda não têm imunidade a ele por se tratar de uma nova cepa”, destaca Mário Ramos, coordenador da megaoperação de combate à dengue.

 

Condomínios

A Secretaria de Estado da Saúde alerta para que a população que reside em condomínios fique mais atenta aos cuidados comuns da residência para que não sejam formados focos de proliferação do Aedes aegypti.

Alguns cuidados redobrados devem ser tomados não somente no interior dos apartamentos, evitando acúmulo de água parada em recipientes como vasos de planta, garrafas e latas, mas também nas áreas comuns como jardins, piscina, caixa d’água, fosso de elevadores, ralos externos, marquises e canaletas de drenagem para água da chuva.

No Estado de São Paulo foram registrados neste ano, de janeiro a setembro, 82,9 mil casos de dengue. O número é 57% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

 

Bauru integra plano de combate à doença do Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde incluiu, recentemente, Bauru na lista de cidades prioritárias para integrar o plano de ação de combate à dengue. Os critérios de seleção dos municípios são: capitais, regiões metropolitanas de capitais com registro de casos autóctones, municípios de áreas endêmicas de dengue com população igual ou superior a 50 mil habitantes, municípios com população inferior a 50 mil com notificação acima de 300 casos por 100 mil habitantes no período de 2007 a 2011.

Uma equipe técnica de Bauru participou de reuniões de conscientização em Ribeirão Preto para que, posteriormente, o plano fosse traçado. De início, como a previsão é de primavera menos chuvosa do que nos últimos anos, serão realizados mini arrastões, bloqueio de criadouros, ações educativas com escolas e comunidades além de uma fiscalização mais intensa em terrenos baldios nos bairros com maior número de casos de dengue nos últimos cinco anos.

As Unidades Básicas de Saúde (UBS) e a rede privada (médicos plantonistas, pediatras, clínicos e ginecologistas e enfermeiros) já receberam treinamento sobre a importância do atendimento e diagnóstico precoce e tratamento oportuno e adequado ao paciente suspeito de dengue, através de abordagens técnicas e discussão de casos clínicos.

 

‘Big bags’

Um dos grandes problemas da dengue em Bauru são os depósitos de recicláveis que não possuem armazenagem adequada, que acabam se tornando ambientes propícios à proliferação do mosquito, uma vez que ficam quentes e úmidos.

Por isso, a Secretaria Municipal da Saúde, em parceria com a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes), está levantando estes trabalhadores mais necessitados para que possam receber gratuitamente uma “big bag” para armazenagem adequada dos recicláveis.

“As big bags têm 2 metros de altura por 1 metro e 20 centímetros de largura e conseguem armazenar bastante material. Nós estamos ainda fazendo um levantamento dos bairros mais críticos em casos e em seguida faremos o cadastramento destes trabalhadores para receberem as big bags”, diz Mário Ramos, coordenador da megaoperação de combate à dengue.

 

 

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