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Rebeldes sem causa

Vinicius Canaes
| Tempo de leitura: 2 min

É notório que os valores morais têm sido ceifados a cada dia, da mesma maneira que a sociedade, em suas ações e virtudes, corrobora com este cenário. Presenciamos na última semana a bestial manifestação de um grupo de jovens contra a Polícia Militar dentro de uma universidade. Este mesmo grupo há pouco tempo exigiu a presença do agrupamento para aumentar a segurança no câmpus após a morte de aluno.

O que chamou atenção não foi a manifestação em si, mas sim a causa, ou melhor, a falta dela, quem acompanhou os noticiários sabe do que estou falando. Incentivo à baderna, à desonra e imoralidade: este é o retrato fiel de uma casta da juventude que cresce baseada na alienação e imaturidade, sem uma estrutura intelectual definida, ou ao menos causas plausíveis. Em O Contrato Social, Rousseau enfatizava o quão problemática se tornava nossa sociedade "A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável". Em contrapartida, associava Estado e sociedade através de um pacto entre os homens, sem coerção e tão pouco submissão.

O que preocupa é o futuro, já que uma sociedade justa e democrática chega a ser uma utopia, pois a educação não educada como antes e os pais ? em uma escala crescente ? são coniventes com tal situação. Enquanto a Europa passa por uma crise econômica, que pode ter efeitos avassaladores, suas manifestações se baseiam na luta por empregos e benefícios sociais, aqui, se luta contra a lei e seus princípios. Os que são pagos para nos defender são apedrejados, enquanto aqueles que nos roubam e desmoralizam a democracia sequer são cobrados por vossas ações nefastas.

O modelo educacional é retrógrado, os valores não são os mesmos, a progressão continuada é a locomotiva que empurra nossos filhos para vida social, sem estímulo à crítica ou o pensamento racional, mais sim à dualidade. Pois bem, as grandes mudanças na história de nosso país foram provocadas por gerações coesas e revolucionárias, vivemos vinte anos sob a trincheira da ditadura militar, milhares perderam suas vidas, tantos outros foram exilados e torturados. Ainda assim, tal geração, considerada como subversiva, derrubou uma tirania que parecia não ter fim.
Vieram
as Diretas Já, os Caras Pintadas e, no atual cenário, os desvairados, parte de uma geração que domina a tecnologia, mas não possui discernimento para separar individualismo de moralidade. Enquanto milhares lutaram pela democracia, liberdade de expressão e igualdade social, a base atual milita por interesses escusos, são os rebeldes sem causa.

Quando falamos em educação nos remetemos apenas às escolas que, em sua estrutura, tem o papel de educar didaticamente, mas a base moral de qualquer indivíduo vem de sua formação familiar, onde os valores humanos são desenvolvidos durante a infância e nos orientam durante a vida adulta, como dizia Nietzsche: "A moralidade é a melhor de todas as regras para orientar a humanidade".

O autor, Vinicius Canaes, é colaborador de Opinião

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