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Olimpíada do conhecimento faz talentos

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 5 min

Confiança e autocontrole são as palavras que devem guiar os alunos da escola de Bauru do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), durante as competições da fase estadual da Olimpíada do Conhecimento, que será realizada no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo. Os 26 adolescentes irão disputar medalhas e classificação para a etapa nacional em 21 modalidades, a partir de hoje e até o dia 10 de novembro.

Ao todo, 763 alunos de 84 unidades do Senai participam das competições em 52 áreas tecnológicas, representando 64 cidades do estado de São Paulo.

Para o diretor da unidade de Bauru, Ademir Redondo, a Olimpíada representa uma oportunidade de atualização para alunos e professores, uma exigência cada vez maior do mercado de trabalho, mas que também é uma marca da escola Senai.

"Vejo como oportunidade para que cada dia mais a escola procure se atualizar, buscando inovações em tecnologias de ultima geração, proporcionando que o professor cresça, já que tem que dar suporte aos alunos, e que os alunos saiam com uma formação atualizada, atendendo a demanda da indústria, que busca maior competitividade, principalmente com o mercado internacional.

Eventos como a Olimpíada, além garantir mão de obra altamente qualificada, contribuem significativamente para o desenvolvimento do mercado de trabalho brasileiro. "O Brasil cresce rapidamente graças a esse apoio, em parte do Senai, na formação de mão de obra que procura se antecipar, já que o aluno sai da escola, muitas vezes, preparado para uma tecnologia que ainda nem chegou ao mercado", disse.

Os alunos bauruenses participam de várias categorias, como manufatura integrada e construção em alvenaria. Para se destacar e alcançar os primeiros lugares no pódio, já que a competição prevê entrega de medalhas de ouro, prata e bronze, a receita dos alunos de Bauru é repetir tudo o que treinaram durante um ano e meio, seguros de que terão bons resultados, mas dedicando concentração e atenção aos detalhes.

"Vai ter o frio na barriga quando ao gente chegar lá, mas o que nos tranquiliza é o nosso treinamento, tudo o que a gente fez até agora, a gente sabe que treinou tudo o que precisava, então estamos confiantes nesse aspecto, mas o friozinho é normal", disse Wallece Teixeira, 19 anos, que participa da categoria polimecânica.

A categoria, aliás, foi destaque há 15 dias na etapa internacional da competição. O mundial acontece sempre intercalado pela disputa nacional. Este ano, foi disputado em Londres e o aluno Rodrigo da Silva Paniffer, 21 anos, de Agudos, mas que estuda em Bauru, ficou com a medalha de prata na categoria. O feito é inédito, já que a pontuação máxima alcançada pelo Brasil na polimecânica foi uma medalha de bronze. Rodrigo, que fez durante a semana uma palestra para os alunos que participam da fase estadual tem atuado como instrutor de Wallece.

"O frio na barriga é normal e é bom, sinal de que estão comprometidos, mas passei para eles que fiquem tranquilos, porque vai ganhar quem tiver maior controle emocional e na tomada de decisões. Quis passar a experiência de que é preciso acreditar em si mesmo até o final, que foi o que usei na competição internacional", comentou Rodrigo.

O jovem instrutor disputou com alunos do Japão, Coreia e Alemanha que haviam trabalhado na máquina usada na competição e que ele não conhecia. "Os outros competidores que não conheciam a máquina nem perto do pódio chegaram". Rodrigo teve empate técnico e dividiu a prata com um competidor alemão.

Alto nível de preparação

O nível de preparação dos participantes é alto, o que eleva o nível de disputa, concorda o aluno Alexandre Souza Burque, 18 anos, que concorre na categoria Manufatura Integrada, mas a autoconfiança vem do treinamento intensivo realizado por professores e monitores. "Depois dos primeiros 15 minutos da prova a gente se acostuma com o ambiente e aí o que conta é a repetição", contou.

Entre as meninas, as categorias são diversas, como panificação e instalação de redes de água e esgoto. "O treinamento foi muito trabalhado e então é chegar lá e fazer o que sei. Treinei para isso, então não tem muita diferença", garantiu Aline Serigatto de Aquino, 20 anos, que faz panificação.

A psicóloga Marcela Velosa, que orienta os alunos do Senai Bauru conta que o trabalho de preparação psicológica foi totalmente voltado para que os alunos pudessem alcançar o melhor durante o treinamento e assim controlar a ansiedade natural da competição. "A gente sabe que saindo daqui muito bem preparados como eles estão, a chance da ansiedade ou do nervosismo atuar na situação é menor", afirma.

Projeto e indústria

Além dos competidores diretos da Olimpíada do Conhecimento, outros três alunos representam a escola de Bauru com a apresentação de projetos do Inova Senai. Os projetos são apresentados por alunos e professores das unidades escolares em forma de equipamentos, materiais ou pesquisa e serão divididos em oito categorias. O objetivo é destacar a criatividade dos participantes.

Os melhores projetos recebem apoio do Senai na formalização de patentes de propriedade e segundo o diretor, o projeto apresentado no ano passado, de forro ecológico, já vem sendo patenteado e tem o interesse de empresas em adquirir os royalties para a produção.

Os projetos serão avaliados por especialistas nas oito categorias, cinco de alunos e três de docentes, e os três melhores trabalhos de cada uma receberão medalha e certificado de participação. A premiação será no dia 10 de novembro, às 15 horas, no Auditório Elis Regina.


Competitividade

O aluno de eletricidade predial Danilo Shimoda, 17 anos, está em uma dessas categorias competitivas, com 47 concorrentes por vaga. Para ele, vencerá quem se dedicar aos detalhes. "Minha família tem um histórico no ramo, mas todos os professores deram o máximo do que podiam para a gente, e como é muito concorrido, a gente tem que se apegar aos detalhes", ensina.

Ainda mais concorrida, a tornearia mecânica tem 54 candidatos em busca do título de melhor. Nessa área, Victor Saragnoli, 16 anos, concorda que os detalhes definem os vencedores. "Não posso perder tempo com o que é mais fácil, fazer bem feito só que o mais rápido possível, para não perder tempo nas coisas mais importantes", diz.

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