Reeleito com 66,43%, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de 65 anos, comandará o país pelo terceiro mandato consecutivo. Os resultados oficiais das eleições, ocorridas ontem (6), foram divulgadas nas primeiras horas de hoje. Ortega venceu o empresário Fábio Gadea, que conquistou 25,52% dos votos. Mais de 70% dos eleitores credenciados compareceram às urnas. Porém, a eleição ocorreu em meio a uma série de suspeitas de irregularidades.
Observadores da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos (OEA) informaram ter tido dificuldades para acessar os locais de votação. A candidatura de Ortega foi considerada por alguns setores como ilegítima, ilegal e inconstitucional devido às manobras legais ocorridas para contornar a proibição constitucional de reeleição imediata do presidente.
Aproximadamente 3,4 milhões de eleitores estavam credenciados para votar ontem. O pleito incluiu escolhas para os cargos de presidente da Nicarágua, vice-presidente, 90 deputados da Assembleia Nacional e 20 representantes para o Parlamento Centroamericano.
Guatemala volta a ter um militar no poder
Pela primeira vez depois de 26 anos, a Guatemala voltará a ter um governo comandado por militar. O general da reserva Otto Perez Molina, de 61 anos, foi eleito ontem (6) novo presidente do país, com 54,89% dos votos válidos. A Justiça Eleitoral da Guatemala confirmou o resultado das eleições.
Perez é o primeiro militar que volta à Presidência da Guatemala depois que as Forças Armadas entregaram o poder ao civil Vinicio Cerezo, em 14 de janeiro de 1986. Ele venceu o adversário com 9,78 pontos de diferença, deixando o advogado Manuel Baldizón em segundo lugar.
O presidente eleito disse ainda que até sexta-feira (13) definirá os principais nomes de sua equipe ministerial. Perez acrescentou que pretende trabalhar em harmonia com o Parlamento e consolidar um governo de acordos. É a segunda vez que ele disputa as eleições presidenciais no país.
Considerado o "general da paz" por ter negociado e assinado os acordos que colocaram fim à guerra civil (1960-1996), que causou 200 mil mortos e desaparecidos, Perez foi acusado de violações dos direitos humanos durante esse conflito.