Enquanto o presidente do DAE, André Andreoli, recorre à necessidade de aumentos na tarifa da água para que a autarquia recupere a capacidade de investimento, a proposta do PCCS para os servidores deve consumir R$ 6 milhões do orçamento anual, o que corresponde à metade da estimativa de ampliação de receita para 2012.
O projeto ainda não chegou à Câmara Municipal, mas os vereadores já não reagem bem à ideia. Marcelo Borges falou sobre o caso na tribuna. "Eles não investem em nada e querem pensar em PCCS", criticou.
Até mesmo o líder governista, Renato Purini (PMDB) apresenta certa resistência à proposta. "O DAE é muito pequeno para sofrer um impacto tão grande", afirmou. O vereador alega que, caso o PCCS seja criado com o único objetivo de incorporar alguns penduricalhos recebidos pelos servidores da autarquia, ele se torna desnecessário.
A necessidade de investimentos pelo DAE é tão gritante que Marcelo Borges se propôs a abrir discussões sobre a aplicação dos recursos arrecadados pela prefeitura com o Refis. Para garantir a aprovação do projeto, ficou acertado de que esses recursos seriam destinados ao Fundo do Tratamento de Esgoto (FTE). "A gente pode conversar para que o dinheiro sirva para a perfuração de poços", afirmou o tucano. Vale lembrar que, além dos três poços a serem perfurados em 2012, Bauru apresenta uma deficiência de sete deles.
Monopólio
Para Moisés Rossi (PPS), o problema está no monopólio exercido pela empresa. O vereador argumentou que são muitos os exemplos de insatisfação com serviços prestados exclusivamente por apenas uma empresa. Além do DAE, ele citou a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). "As quedas de energia estão cada vez mais constantes", afirmou. Borges também comentou o caso.
Ainda sobre a autarquia municipal, Rossi questionou o fato de o poder público orientar e pedir aos bauruenses que economizem água, enquanto admite o desperdício de 40% de sua produção.