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Está em trâmite na Câmara Federal projeto de Lei 449/11 da deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer vacinas de imunização contra o Papilomavírus Humano (HPV) a mulheres de 9 a 26 anos. Apresentada no dia 16 de fevereiro, a proposição da deputada foi justificada por diversos estudos científicos que comprovaram o HPV como a principal causa de câncer de colo uterino, e por ainda não existir uma política que forneça acesso gratuito aos brasileiros às vacinas que já existem no mercado, comercializadas por um alto valor.
O médico ginecologista Carlos Alberto Ferreira de Menezes explica que existem dois tipos de vacinas que são vendidas com preços distintos. “Temos a vacina chamada Quadrivalente, que previne todos os tipos de HPV, os que podemos dizer mais fracos que causam pequenas verrugas, e os tipos 16 e 18, que causam o câncer”. Esta, segundo o ginecologista, custa de R$ 400 a R$ 600 cada dose. “Já o segundo tipo, com preço mais acessível, é a vacina Oncogênica, que os induz contra os HPV 16 e 18. Esta custaria por volta de R$ 100 a dose”. Ainda segundo o ginecologista, em ambos os casos são necessárias três doses, sendo a segunda após 30 dias da primeira aplicação e a terceira e última após 6 meses.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) existem vários tipos de HPV, mas a maioria das infecções é causada por apenas quatro deles. As versões 16 e 18 do vírus, citadas pelo ginecologista Carlos Alberto Menezes, são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de câncer de colo de útero.
Já os HPV de tipo 6 e 11 respondem por 90% das chamadas verrugas genitais. “Por isso é importante ressaltar que, mesmo pessoas que já tiveram diagnosticado HPV, devem ser vacinadas. Existem inúmeros tipos e é necessário se prevenir dos outros”.
Quanto mais cedo, melhor
Apesar do HPV ser uma doença sexualmente transmissível os especialistas recomendam a vacinação preventiva para meninas que estejam entrando na adolescência muito pelo fato da vida sexual se iniciar cada vez mais cedo. “Quanto mais precoce existir uma prevenção, melhor será. Uma garota que ainda não tem vida sexual está mais preservada da infecção e, assim, seria muito interessante a vacinação como forma de prevenção”, afirma Menezes.
O ginecologista explica ainda que a transmissão mais comum ocorre pelo ato sexual, mas existem ainda outras formas de contágio. “Qualquer intimidade pode acabar em transmissão. O HPV é altamente indicioso. Claro que o mais comum é o ato sexual em si, mas outras intimidades também contribuem”.
E o homem?
Engana-se quem acredita que o HPV só é diagnosticado e transmitido por mulheres. Segundo Menezes, as lesões associadas ao HPV podem ser perceptíveis nos homens “no prepúcio e na glande, locais suscetíveis ao trauma epitelial durante a relação sexual”. Por isso mesmo, o ginecologista defende a vacinação em homens da mesma faixa etária (dos 9 aos 26 anos). “No caso das mulheres, o HPV pode chegar ao útero e, dependendo do caso, as feridas e verrugas ali notadas virarem um câncer. O HPV, porém, pode ser transmitido pelo homem. Portanto, seria interessante não apenas a vacinação nas mulheres, mas também nos homens por esse motivo. A partir do momento que todos forem vacinados, teremos uma diminuição nos índices de câncer do colo de útero”, diz.
A proposta de lei foi apensada ao PL 6820/10, do Senado, que inclui a vacina HPV no calendário de vacinação do SUS. Os projetos serão analisados em caráter conclusivo pelas comissões de Seguridade Social e Família, de Finanças e Tributação, e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Prevenção é arma contra a transmissão do vírus
O HPV é um vírus transmitido pelo contato sexual que afeta a área genital tanto de homens como de mulheres. “Enquanto alguns deles causam apenas verrugas comuns no corpo, outros infectam a região genital, podendo ocasionar lesões que, se não tratadas, se transformam em câncer de colo do útero”, destaca o ginecologista Carlos Alberto Menezes.
Ainda de acordo com o médico, uma das características marcantes desse vírus é que ele pode ficar instalado no corpo por muito tempo sem se manifestar. “Enquanto você está bem de saúde, com a resistência boa, ele pode ficar camuflado. Porém, quando essa resistência baixa, ele pode aparecer. Isso pode durar até dez anos ou mais”.
Na maioria dos casos, a infecção pelo HPV não apresenta sintomas de imediato. “A mulher pode sentir uma leve coceira, ter dor durante a relação sexual ou notar um corrimento. Temos que lembrar que essa infecção não necessariamente resulta em câncer, mas é comprovado que boa parte das mulheres que têm câncer do colo uterino foram antes infectadas por esse vírus”, diz.
Segundo dados do Inca, no Brasil, cerca de 7 mil mulheres morrem anualmente por esse tipo de tumor.
Em seus estágios iniciais, as doenças causadas pelo HPV podem ser tratadas com sucesso em cerca de 90% dos casos. “É por isso que ressaltamos que a melhor arma contra o HPV é a prevenção e fazer o diagnóstico o quanto antes. A vacina, nesse sentido, seria uma grande aliada”, conclui.
Saúde espera por série de ‘vacinas do futuro’
Se considerarmos apenas as vacinas disponíveis na rede pública de saúde, uma criança receberá antes dos seus 5 anos de vida cerca de 20 injeções, isso sem contar as imunizações pela via oral. Com novas pesquisas e novas vacinas desenvolvidas, a tendência é que o número de “agulhadas” cresça até a vida adulta.
De acordo com Rosimeire Vincentin, enfermeira chefe do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde, as vacinas contra o HPV integram um grupo que ela intitula de “vacinas do futuro”, fazendo referência às pesquisas de novas vacinas em andamento, entre elas para o Alzheimer e até tabagismo. “Nossa ansiedade é para que a vacina do HPV entre o mais rápido possível no cronograma. Assim como outras vacinas que seguem em estudo e que podem diminuir consideravelmente nossos índices de doenças. Acredito, por exemplo, que em 2014 (ano de Copa do Mundo), quando iremos receber muitos estrangeiros, já seja administrada no País a vacina contra a dengue”, diz.
