Manusear feixes de laser pode até parecer ser uma brincadeira inocente, mas a ação é vista com seriedade pela aviação, já que é capaz de causar transtornos e desastres quando direcionados às aeronaves. E a polícia alerta: os responsáveis podem ser severamente punidos. Em Bauru, os pilotos do Aeroclube reclamam da falta de consciência de quem tem o hábito de “brincar” com o laser.
“Quando a pessoa direciona o feixe de luz laser para uma aeronave, normalmente ela está decolando ou aterrissando e, caso a luz alcance os olhos do piloto, ele pode perder o foco momentaneamente, o que pode gerar um acidente”, analisa o comandante do helicóptero Águia, da Polícia Militar, major Sílvio Luiz Frank.
Segundo o major, o Código Penal prevê punição para quem expõe aeronaves a risco. “Em Bauru, já fizemos buscas na tentativa de localizar quem anda direcionando os feixes em direção a aeronaves do Aeroclube. Normalmente, isso é feito por adolescentes. Nesses casos, os pais são os responsáveis pelos atos dos filhos.”
Vendido facilmente em muitos pontos da cidade, os feixes de laser, maioria de origem chinesa, não deixam o trajeto marcado, o que dificulta sua localização. Fiscalizar a atitude dos filhos, além de prevenir acidentes aéreos ou até mesmo automobilísticos, ainda pode evitar problemas de saúde, já que a luz pode causar sérios danos à visão. A conscientização da população é muito importante.
De acordo com o comandante, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) já registrou cerca de 60 casos de médio a auto perigo provocados pelo uso de feixes de laser. “Em São Paulo, eu participei de uma ocorrência em que os olhos do piloto foram ofuscados por um tempo considerado. É um risco grande e um problema no mundo todo. Nos Estados Unidos, desde 2010, há uma lei específica sobre o uso do laser”.
Balões
Fabricar, vender e soltar balões também é crime ambiental e tem lei específica que pode chegar a pena de quatro anos. Entre os perigos já conhecidos, como incêndios em matas, indústrias e residências, estão os acidentes aéreos, já que as aeronaves também podem ser atingidas e sofrer graves acidentes, principalmente as de pequeno porte. Entre as cidades campeãs de acidentes com balões, São Paulo e Rio de Janeiro são as primeiras colocadas.
“Os balões representam um problema tão grande para o transporte aéreo nacional que há até um programa específico sobre o perigo baloeiro. Além disso, no meio do ano, com as festas típicas dos meses de junho e julho, o Brasil informa o transporte aéreo internacional sobre a incidência de balões por meio de um certificado. Mas eles não entendem o perigo, acham que são balões tripulados”, acrescenta major Sílvio.