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Operário morre ao cair de escada

Por Adilson Camargo | Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

A falta do uso de equipamentos de segurança em uma obra pode ter provocado a morte do pedreiro Deriomar Santos da Silva, 30 anos. Ele caiu de uma altura aproximada de 8 metros enquanto trabalhava na construção de um prédio, ontem de manhã, na quadra 20 da avenida Getúlio Vargas. Segundo apurou a reportagem junto a outros trabalhadores da obra, Deriomar não usava os equipamentos de segurança obrigatórios e teria caído de uma escada que dava acesso ao topo da obra.

Logo após o acidente, ele foi socorrido ainda com vida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas teria chegado morto ao Pronto-Socorro Central. Ainda segundo informações dos colegas de trabalho, Deriomar veio da Bahia e estaria morando na Vila São Paulo, em Bauru, há alguns meses.

Segundo informou o encarregado da obra, que se identificou como Júlio César da Silva, todos os operários recebem os equipamentos de segurança, como o cinto de proteção, capacetes, óculos e outros, mas muitos relutam em usar porque atrapalham na execução dos serviços.

Em tese, os operários que se negam a usar os equipamentos deveriam ser impedidos pela construtora de continuar trabalhando porque, em caso de acidente, a empresa é responsabilizada pelo dano causado. Profissionais da área, como engenheiros e técnicos em edificações, admitem que os equipamentos de segurança são incômodos de se usar, atrapalham, mas por outro lado, salvam vidas.

E suspender operários não é uma decisão fácil de se tomar devido à escassez de mão de obra. Em matéria recente, o Jornal da Cidade mostrou que trabalhadores da construção civil viraram "artigo de luxo". Na ocasião, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Bauru, Cláudio da Silva Gomes, disse que atualmente 100% da mão de obra do setor, em Bauru, está empregada.

A matéria informa que do analista de solo ao paisagista, passando pelo servente, pedreiro, mestre de obra e as demais funções, os mais de 18 mil profissionais do setor da construção em Bauru estão todos ocupados, inclusive os autônomos. Sem sobra de pessoal especializado, a busca por profissionais extrapola as fronteiras da cidade. E a vítima de ontem estava entre os trabalhadores "importados". Deriomar veio da Bahia.

A área da construção civil é
considerada a atividade campeã de acidentes de trabalho. A estatística negativa nesse setor se deve, em boa parte, ao alto risco de quedas em função da altura das obras e, muitas vezes, devido à pressão pela conclusão da obra em tempo hábil. Se o funcionário estivesse usando o equipamento, muitas vezes, poderiam evitar as mortes. O corpo de Deriomar seria velado ontem à noite na casa onde morava. Depois seguiria para Vitória da Conquista, na Bahia, onde será sepultado.

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