A coluna Entrelinas do JC de 11/11, pág. 2, trouxe comentário sob o título "Conselhor melhor", que comporta um paralelo com a situação salarial dos professores. O comentário informa que a proposta do governo Rodrigo Agostinho (PMDB) para melhorar o Conselho Tutelar de Bauru tem como principal medida o aumento do valor pago mensalmente aos conselheiros. O reajuste é de 61%. O salário atual não é convidativo, pouco mais de R$1,3 mil.
O paralelo faço com frequentes pronuncimantos que tenho lido na Folha de São Paulo e no O Estado de São Paulo, sobre autoridades, inclusive em artigos, que dizem: "aumentar salário dos professores não resolve o problema da eficiência do ensino".
Primeiramente, registre-se que a Constituição Federal completou, em outubro último, 23 anos de sua promulgação. Os constituintes que elaboraram e promulgaram a Constituição, preocupados com a situação do ensino público e a dos professores, fizeram constar no texto constitucional, de modo explícito, que o ensino será ministrado com base, entre outros princípios, na "Valorização dos profissionais do ensino, garantido na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos".(art. 206, inciso V).
Editorial da Folha de São Paulo (08/11,pág.A2) intitulado "Professor mal pago", mostra bem uma situação que, passados 23 da promulgação da Constituição Federal, a recomendação dos constituintes sobre a "valorização dos profissionais do ensino", continua simplesmente ignorada, em especial pelo PSDB, que governa o Estado de São Paulo há mais de 16 anos, e a situação do ensino público estadual e dos professores cada vez piora mais.
Para conclusão desta do editorial da Folha, o trecho seguinte: "Há três anos, aprovou-se no Brasil legislação federal que estabelece piso para o salário do magistério, hoje estipulado em R$ 1.187,00. No ensino básico, segundo pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo, a remuneração situa-se entre R$ 1.140,00 e R$ 1.603,00 - computadas as escolas públicas e privadas". Risível!
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual