Pesca & Lazer

História de Pescador: Promessa é dívida


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Há certo tempo, eu e meu colega de pescaria, o padre Jair Ramos, combinamos pescar em um tanque a 10 km de nossa cidade, Piedade (SP), repleto de carpas, tilápias, traíras, entre outras espécies. Animados, pegamos os equipamentos: vara de bambu, molinete, iscas...

Saí do trabalho e me encontrei com ele para pegarmos a estrada. No caminho, brincando, apostei que só deixaria de pescar se fisgasse um peixe de 9 quilos. Conversa vai, conversa vem e logo estávamos cara a cara com o tanque. Na beira d?água Jair tratou de arrumar toda a sua tralha no lugar que estava acostumado a lançar isca. Coloquei a minha bem ao lado para aproveitar a claridade do lampião. E a minha aposta estava de pé: pegaria um de 9 quilos!

Enquanto o padre estava a postos, eu nem tinha iscado as varas. Quando resolvi sentar e sossegar o Jair já tinha fisgado uma tilápia de bom tamanho. A tarde estava caindo, a fome batendo e eu ainda não tinha pescado um peixe. Paramos para comer e voltamos para a beira d?água já de noite.

Olho de um lado, olho de outro, e nada do meu peixe de 9 quilos aparecer. De repente, quando menos esperava, minha linha começou a mexer bem devagar. Puxei o danado com toda a força. Na hora pensei que era uma carpa, mas logo surgiu um bagre daqueles africanos.

Já era noite quando ouvi peixes pulando em frente a minha vara. Falei para o Jair que ali estava o meu peixão. Nem bem terminei a frase e a linha esticou a uma velocidade incrível que quase não consegui segurar.

A adrenalina dominou meu corpo. Exaltado, gritei para o Jair me ajudar e ele, paciente, dizia para eu ficar calmo. Tentava seguir seu conselho, mas não conseguia ? também, aquele bicho era tão pesado e puxava a linha com tanta força que qualquer um na minha situação faria o mesmo.

Os puxões iam para lá e para cá, mas nada do peixe aparecer. Após alguns minutos uma enorme carpa se aproximou da parte rasa do tanque e Jair lançou mão do puçá para tentar pegá-la. Foi aí que não senti mais o peso na linha, que num piscar de olhos arrebentou ? mas a minha carpona não poderia escapar! Não pensei duas vezes: pulei na água em cima dela. Agora, a briga seria na raça!

Agarra daqui, escapa de lá e, finalmente, consegui tirar a bela carpa da água. Saí emocionado com o belo exemplar nos braços ? e o padre nem acreditava no que via. Corremos para pesá-la e, por incrível que pareça, a balança acusou exatos 9 quilos! Pronto, agora sim poderíamos voltar para casa, afinal, lá estava a prova da minha promessa.


?Claudemir Vieira Martins é pescador e contador de histórias. O "causo" foi publicado na edição de setembro da revista Pesca & Companhia.

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