No recente episódio que envolveu a ocupação da reitoria da USP, tomada de assalto que foi por um bando de baderneiros, de arruaceiros, de tudo, menos estudantes daquela conceituada universidade, os quais, por algumas frações de segundos, não deixaram de nos proporcionar um amargo flash-back dos temíveis anos de chumbo da ditadura militar, tal qual a flor de lotus, que nasce nos pântanos, pudemos notar e anotar pelo menos duas das muitas frases escritas nas paredes e em cartazes, pelos manifestantes.
A primeira delas, enfocando o estágio a que chegamos nesta terra de Santa Cruz em termos de falta de vergonha, dizia: "Ninguém está a cima da lei, só os políticos corruptos do Brasil", e a segunda, "A maior depredação do patrimônio público é a corrupção".
Verdades nuas e cruas que emergem de uma ação marginal, e que mostram a face mais cruel de uma odiosa prática que já virou rotina neste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, qual seja a de levar vantagem, maldita lei de Gerson, onde os políticos de baixa estatura moral deitam e rolam em meio a falcatruas as mais variadas, como, por exemplo, o famigerado caso do mensalão, que acabou em nada, ninguém foi condenado e preso, e outros tantos escândalos, que já obrigaram a presidente Dilma a "despachar" cinco, quase seis, ministros de Estado, envolvidos até a alma em negociatas ilícitas.
Resumo da ópera: aproveitando um velho bordão, com as devidas adaptações: "Ou o Brasil acaba com a corrupção ou a corrupção acaba com o Brasil".
Marcos Vieira da Silva - jornalista - Iacanga