Obviamente, sabemos que de modo geral a qualidade de um produto é proporcional a seu preço. Tratando-se de transporte coletivo, não é diferente. Temos, historicamente, a péssima cultura de vincular a qualidade de um serviço público ao seu custo final pago pelo consumidor. De certo modo isso tem que mudar, para a construção de cidades melhores.
Ligeiramente, o sistema público de transporte gere o deslocamento de grandes massas populacionais. Hoje, podemos ver um sistema sobrecarregado, de baixa qualidade, com demora, atrasos e, principalmente, com um número de passageiros por metro quadrado muito acima do aceitável internacionalmente. Entretanto, para toda essa realidade mudar, reformas intensivas devem ser empregadas, e estas afetam diretamente a vida do passageiro.
Um sistema de transporte coletivo deve ter um valor máximo, pré-estipulado, de passageiros por metro quadrado. Isso assegurando níveis de comodidade aceitáveis. O veículo em si deve ter engenharia suficiente para assegurar níveis de ruídos e temperatura confortáveis aos usuários, assim como embarque e desembarque de deficientes, evitando constrangimentos aos mesmos.
Resumindo, toda a ergonomia do veículo está intrinsecamente ligada com a qualidade de serviço. Também o deslocamento é de suma importância para a qualidade do serviço. Uma reforma integral das rotas é essencial. Como já foi mencionada, a qualidade é proporcional ao preço. Um sistema de alta qualidade custa muito, o que impediria a população, em certos níveis, de utilizá-los. Aí toda reforma seria imprópria, pois deixa de realizar o seu principal papel.
Uma ferramenta plausível para a reformulação seria o subsídio tarifário, que consiste na criação de um fundo que permita pagar a concessionária pelos serviços. É exatamente aqui que entra a questão da tarifa zero. O fundo subsidiaria a tarifa a todos os usuários. E como criar um fundo?
Podemos constatar que no Brasil famílias com renda de até dois salários mínimos gastam com impostos 49% de sua renda. Enquanto famílias com renda acima de trinta salários gastam apenas 26%. Uma solução a nível municipal seria a reforma do IPTU, onde os com grandes rendas pagariam mais, e os com pouca renda pagariam menos. E a diferença entre os valores atuais e os reformulados, seria destinada ao fundo do transporte, para gerir parcial ou totalmente a tarifa. Com tais reformas teremos um sistema de alta qualidade sem que o ônus seja repassado totalmente ao usuário. Uma justificativa é a de que o transporte coletivo leva as pessoas ao comércio e aos serviços, gerando, assim, mais recursos ao município.
Guilherme Viega Francisco