Regional

Rio Jaú terá dragagem emergencial

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O município de Jaú (47 quilômetros de Bauru) deverá receber hoje duas máquinas cedidas pelo Governo do Estado que ajudarão a aprofundar a calha do rio Jaú. As chuvas que atingiram a cidade nos últimos dias, aliadas ao assoreamento do rio, fizeram com que o nível de água transbordasse e atingisse inúmeras casas. A decisão do empréstimo das máquinas foi tomada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Na tarde de anteontem o prefeito Osvaldo Franceschi Junior (PV) esteve reunido com o governador no Palácio dos Bandeirantes para que o decreto de estado de emergência baixado por ele fosse acatado pelo governo. As máquinas da Companhia de Desenvolvimento Agrícola de São Paulo (Codasp) e a dragline, já começam a trabalhar assim que chegar à cidade fazendo, inicialmente, a contensão de barrancos e dragagem do rio.

“Nós queremos deixar registrado toda nossa solidariedade com o povo de Jaú. Já estamos providenciando todo suporte logístico para as famílias afetadas, como colchões, cobertores, cesta básica, kit de limpeza, roupas e itens de higiene. Além disso, estamos enviando máquinas da Codasp e uma dragline (espécie de escavadeira) para auxiliar nos serviços”, afirmou o governador, segundo informou a assessoria de imprensa por meio de nota.

 

Desalojados

Com os diversos pontos de alagamento que se formaram na cidade e comprometeram as estruturas de muitas residências, cerca de 300 famílias estão desalojadas e morando temporariamente no Ginásio Flávio de Mello.

Por isso, o governador já autorizou nesta reunião a construção de 20 moradias por meio de um convênio com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), para atender as famílias que tiveram suas casas totalmente destruídas. Ainda não foi determinada a data do início destas obras.

O socorro às famílias que estão desalojadas já teve início na tarde de ontem com o trabalho integrado entre a Defesa Civil de Jaú, a prefeitura da cidade e o apoio do Governo do Estado de São Paulo, também por meio da Casa Militar e do Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo (Fussesp).

O prefeito de Jaú anunciou na ocasião a solicitação de desassoreamento do rio Jaú, bem como do envio de engenheiros para auxiliar na avaliação dos danos e vistoria nas moradias.

 

Galerias pluviais

Outro ponto crucial para os diversos pontos de alagamento que se formaram na cidade é a falta de galerias pluviais em 23 bairros. Em entrevista recente ao JC, o vereador Fernando Frederico de Almeida Júnior (PV) criticou a falta de iniciativa da Prefeitura para a “tragédia anunciada”.

Em 2008, o Ministério Público impetrou uma ação civil pública para que a Prefeitura se comprometesse a instalar as galerias pluviais nos bairros justificando que não se deve confundir galerias pluviais com rede de esgotos. “A galeria de águas pluviais deve transportar somente água das chuvas e não deve receber ligações de esgotos domésticos”.

No documento consta que, um levantamento realizado pela própria Prefeitura de Jaú, em 29 de março de 2011, indica a falta de galerias pluviais em vários bairros da cidade, sendo eleitas prioridades, em sete anos, não cumpridas.

A ação obrigava a prefeitura a implantar as galerias com fixação de multa de R$ 500.000,00 mensais em caso de descumprimento. Para que a medida começasse a valer, era necessário que o município fosse citado.

Na tarde de ontem, o JC entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Jaú e questionou a existência desta ação e a citação. A solicitação não foi atendida durante o expediente e foi informado que hoje o departamento jurídico poderá dar uma posição à reportagem.

 

Atenção aos desalojados

Durante toda a tarde de ontem funcionários da Defesa Civil Municipal trabalharam na continuidade da vistoria das, aproximadamente, 250 casas atingidas pelas chuvas. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Jaú, um caminhão do Governo do Estado chegou à cidade trazendo enxovais, material de limpeza e higiene pessoal para as famílias desalojadas.  A Defesa Civil Estadual avaliou que o índice pluviométrico registrado nos últimos quatro dias em Jaú foi o esperado para todo o mês de novembro, levando o rio Jaú a transbordar.

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