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Conservadores vencem na Espanha

Reuters
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Madri - Os espanhóis resolveram punir o governo dos socialistas e deram ao conservador PP (Partido Popular) ontem a maioria absoluta para administrar o país em meio a sua pior crise econômica. Mariano Rajoy, um advogado de 56 anos, será o novo primeiro-ministro.

Seu partido deve ter 186 dos 350 membros do Congresso dos Deputados, 32 a mais do que tem atualmente.

Será a maior bancada do PP desde a redemocratização do país, em 1977.

Em discurso, Rajoy pediu união para enfrentar a “mais delicada conjuntura em 30 anos”, disse que não haverá milagres e que são necessárias medidas urgentes para que a Espanha deixe de ser um problema para a Europa.

Para o PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol), foi uma derrota avassaladora. Perdeu 58 cadeiras e deve ter 111 deputados, a menor bancada de sua história.

O partido já tinha sido derrotado nas eleições regionais de maio, quando o PP ganhou em 11 das 13 comunidades autônomas (espécie de Estados) em que houve voto e na maioria das prefeituras.

Agora, tiveram menos votos em praticamente todo o país, até na Andaluzia, onde nunca haviam perdido.

O grande perdedor é José Luis Rodríguez Zapatero, primeiro-ministro desde 2004. Hoje, ao sair da seção em que votou, ouviu gritos de “traidor” e “sem-vergonha”. Uns poucos o aplaudiram.

Durante seu governo, a economia degringolou, afetada por excessos de gastos e pela crise financeira mundial, que estourou em 2008. O desemprego atinge 22,6% (maior taxa da Europa). A dívida pública duplicou e o país está à beira de uma nova recessão.

No ano passado, Zapatero adotou medidas de austeridade (corte de salários e benefícios e aumento de impostos), o que arruinou de vez a sua popularidade.

“As pessoas se desencantaram e se enfureceram com um partido que começou com uma política de melhora no Estado de bem-estar social e acabou cortando benefícios e o dinheiro para a educação”, disse à Folha a professora de ciência política Paloma Román Maruján.

Alfredo Rubalcaba, candidato socialista, reconheceu a derrota e diz que agora vai liderar a oposição para garantir a manutenção dos “serviços públicos universais e os direitos individuais” conquistados nos últimos anos.

Muitos dos descontentes com o PSOE migraram para a Esquerda Unida, cuja bancada deve crescer de 2 para 11 deputados.

Antes da Espanha, partidos socialistas já haviam perdido o poder neste ano em Portugal e na Grécia. Tudo culpa da crise econômica.

 

Eleição sem ETA

Essa foi a primeira eleição espanhola, desde a redemocratização de 1977, sem as ameaças do grupo terrorista basco ETA, que renunciou ao uso de armas. O Amaiur, que congrega os separatistas mais à esquerda do País Basco (nordeste da Espanha), estreará no Parlamento com 7 deputados.

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