Tribuna do Leitor

Só não vê quem não quer


| Tempo de leitura: 3 min


Aos que olham para a política e os políticos desta terra varonil - sob o céu cor de anil deste imenso Brasil - com os olhos de ver e não apenas os de enxergar, "tá na cara" que Lupi continua lá onde está porque sabe coisas cabeludas. 

Não somente a respeito do "modus operandi" de Lula, seu patrono, mas também de Dilma que, creiam, compactuou não só com tudo o que ocasionou o quiproquó que ora acontece e outros que já aconteceram, como também com tudo o que está por vir. Mesmo porque, dentro de seu próprio PDT, há muitos que querem ver o ministro pelas costas.

Sinceramente, é preciso muita força de vontade (mesmo porque eu seria convenientemente censurado pelo jornal) para, a respeito do ex-presidente e de sua atual sucessora, deixando de utilizar minha aflorada veia poética, prosseguir nas convidativas, singelas e fáceis rimas, para "terra varonil e céu cor de anil deste imenso Brasil", expressões que usei acima para, leve, lépido e solto, iniciar estas minhas mal traçadas linhas...

O bel-par presidencial não ficará livre do lobo mau tão facilmente, creiam... Só se... Deixa pra lá! Afinal, sobre certos eventos no ABC e em Campinas, tenho - e temos todos - razões para divagar. A presidente não acha?

Outrossim, por que e para que o "melhor presidente que este país já teve" teria que salvar o bigode, que nas quimioterapias normalmente cai (afinal, é pelo também!), se apenas um fio deles, que deveria selar compromissos empenhados, não servirá absolutamente para nada? Basta já o bigodudo ministro Mercadante, que renunciou irrevogavelmente à liderança do governo de Lula na Câmara para, depois, instado pelo próprio Lula, "desrenunciar"! Para Luiz Inácio, faltar com a palavra é fácil e... normal. Para que tanta frescura, né?! 

Aliás, brincar com os desígnios do Criador para enriquecer seu marketing pessoal, inclusive confiante exageradamente na medicina -embora trate-se, no caso, de uma das melhores praticadas em todo o mundo-, é, antes de mais nada, desprezar a religiosidade plural nata no sofrido povo brasileiro. O bom ânimo é fator essencial na cura. Mas o exagero, de per si, é prejudicial e, algumas vezes, aético.

Quanto à presidente, lembro-a que não foi para isso que "Estela", "Luiza", "Patrícia" e "Wanda", seus codinomes, foi presa, torturada, quase morta e enjaulada nos malditos porões dos anos de chumbo impostos a este país pela despudorada ditadura militar. 

Recomponha-se, presidente, e siga o caminho que o Criador lhe traçou e que prescinde, perfeitamente, das más companhias que V. Exia. tem frequentado. Ainda há bastante tempo para a moralização deste país que, quer queira ou não, a senhora, mesmo que inadvertidamente, ajudou a jogar no lugar comum do desregramento e da falta de patriotismo; do desperdício e do sumiço de verbas por ralos previamente abertos nos escaninhos das conexões intergovernamentais. 

Eu e muitos brasileiros temos certeza que, pelo seu passado, a senhora é uma patriota exemplar.  Mas nada, nada mesmo, lhe aconselha ou dá permissão para proceder como S.Exia. já procedeu e ainda hoje procede, presidente.  Tenha dó... 

Mostre ao mundo todo o que o brasileiro, um cadinho de raças e cores belas e variadas, pode, deve e sabe fazer! Convenhamos que elle nem era um dos seus. Naquele tempo elle negociava greves e foi detido por incitá-las, perante uma ditadura ainda mais irresponsável. Dê-se ao trabalho de ler "O que sei de Lula", do excelente José Neumanne. Sabemos, agora, que seus desígnios eram outros: os que, hoje em dia, ele esteve e ainda está, a toda hora, a demonstrar: "o pudê! Apenasmente, o pudê".

Termino distorcendo uma trova que fiz para uma exposição de telas de Walter Mortari, um grande pintor desta cidade, quando do centenário de minha amada Bauru: "Um belo cesto de frutas / flores silvestres, mil cores! / São troféus de suas lutas / oh... Brasil (Bauru) de meus amores!"

Tenho dito.


João Guilherme Ortolan

Comentários

Comentários