A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) esclareceu, ontem, a autoria do assassinato de Renato Gama Simões, 40 anos, encontrado morto com três perfurações no crânio no dia 17 de setembro, às margens do córrego Barreirinha, na divisa entre os jardins Flórida e Silvestre, em Bauru. Welinton Rodrigues da Silva, 23 anos, conhecido como “Neguinho”, confessou o crime e afirmou que matou Simões porque ele o havia ameaçado de morte em razão de uma dívida de drogas.
Usuário de crack, Silva devia cerca de R$ 600,00 à vítima, que, segundo a polícia, era um pequeno traficante local conhecido como “Tubarão”. O autor do homicídio foi preso em casa, no Jardim Marília, na manhã de ontem.
Sem oferecer resistência, ele relatou que matou Simões na noite de 15 de setembro, ao encontrá-lo casualmente na quadra 3 da rua Felício Atala, no Jardim Flórida, próximo a um ponto de venda e consumo de drogas. De acordo com Silva, o traficante já o havia ameaçado de morte outras vezes e, neste último encontro, teria tentado agredi-lo com um pedaço de pau.
“Eu estava andando com revólver para me defender, porque sabia que ele podia vir me matar. Eu estava devendo fazia um mês e ele já tinha batido em mim uma outra vez. Mas estou arrependido do que fiz”, contou ele, argumentando que o crime não foi premeditado.
Na ocasião, a vítima estava acompanhada de outra usuária de entorpecentes, Regina Leonel dos Santos, 28 anos, que acabou se tornando a testemunha-chave para a elucidação do caso. “Ela presenciou toda a cena. O Tubarão disse que ia matar o Welinton e tentou investir contra ele com um pedaço de pau. Então o Welinton sacou o revólver e atirou na cabeça da vítima, que caiu, mas conseguiu se levantar, quando o Welinton atirou mais duas vezes”, relata o delegado titular da DIG, Kleber Granja.
A polícia acredita que o crime tenha sido planejado, já que a arma utilizada - um Taurus calibre 38 – teria sido comprada por Silva no mesmo dia do assassinato. O revólver, até hoje, não foi localizado.
Ocultação de cadáver
Conforme Regina contou à polícia, logo após o assassinato ela teria sido obrigada a ajudar Silva a arrastar o corpo de Simões até o córrego Barreirinha, onde foi encontrado dois dias depois, a cerca de 500 metros do local do crime. Silva, no entanto, nega ter participado da ocultação do cadáver.
“Ele disse que atirou e fugiu. Mas, por haver uma contradição nas versões, a realidade dos fatos ainda terá de ser investigada”, aponta Granja, adiantando que a testemunha Regina ainda poderá ser indiciada por coautoria de ocultação de cadáver, crime pelo qual Silva também poderá ser julgado como autor.
Inicialmente, ele responderá inquérito por homicídio duplamente qualificado, por não ter dado chance de defesa à vítima e por tê-la matado por motivo fútil. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão.
O acusado permanecerá preso temporariamente por 30 dias na Cadeia Pública de Duartina. Ele não possuía antecedentes criminais e tinha emprego fixo. Segundo disse ao JC, é usuário de crack desde os 12 anos de idade e nunca conseguiu se livrar do vício. “Mas nunca dei trabalho para ninguém e sempre trabalhei. Não queria que tudo isso tivesse acontecido”, disse, em meio a sorrisos, à reportagem.