Folhear ou ler o livro “Reginópolis, sua história” é uma verdadeira viagem ao município que fica, em linha reta, a 325 quilômetros de São Paulo e a 7
quilômetros de Bauru. Logo nas primeiras páginas, as aquarelas, que mais parecem fotografias, retratam o mercado, a drogaria, a óptica, o escritório de advocacia e a loja de produtos agrícolas.
O hotel pousada, o ex-mascote da pousada, o gato Bentoca, o Terminal Rodoviário e o posto de combustível dividem a página com a mangueira e os moradores que jogam baralho. O texto passeia pelas informações que marcam o município.
A agricultura, base da economia da cidade - 8
% dos moradores vivem dela - é composta de cana-de-açúcar, pimentão, café, laranja e gado. “O pimentão desponta como propulsor de excelentes negócios na região, onde a horticultura é uma forte fonte de renda de aproximadamente 25
famílias. O café resiste, a laranja ocupa parcela significativa de terras. O gado não tem a mesma pujança de antigamente.”
O cenário é dominado por pequenos e médios proprietários, poucos arrendatários e algumas grandes fazendas. “Presença perceptível no entorno das estradas é a macaúba, uma espécie de coquinho, nativo da região, a enfeitar os caminhos.”
Na área comercial, uma pedreira fez a fama da cidade, conhecida por pavimentar residências e vias País afora. O município, que se gabava por possuir mais mulheres que homens, hoje é a 5ª cidade em porcentagem de população masculina, com 63,93%, graças a implantação de dois presídios que abrigam 1.8
detentos.
Em Reginópolis, os poucos mais de 7 mil habitantes vivem melhor do que a média nacional. Contam com serviço de água, luz elétrica e rede de coleta de esgoto. “São aproximadamente 1.4
residências, mais de mil contam com telefone.” A não existência de campainhas nas residências é característica e demonstração de amizade. Para chamar os moradores, basta bater palmas ou chamar pelo nome, afinal todo mundo se conhece.
As bicicletas como meio de locomoção é outra marca do município. “Uma pesquisa constatou a existência mais de bicicletas do que veículos motorizados em sua área urbana que não possui aclives acentuados.”
Reginópolis foi visitada por pesquisadores europeus
O livro “Reginópolis, sua história” está repleto de curiosidades, registro de fatos que ocorreram nos anos 3
e que até hoje está na memória dos antigos moradores. “Até hoje se comenta muito de uma luminosidade que percorre os viajantes na estrada e tem muito a ver com a questão rochosa da região. Ali tem pedreiras famosas e nos anos 3
o jornal “O Estado de São Paulo” fez até reportagens sobre a luminosidade que emanava das escavações. Pesquisadores europeus ficaram cerca de um ano na região escavando”, comenta Henrique de Aquino.
Os pesquisadores cercaram a região, contrataram pessoas da cidade para a escavação a fim de descobrir o que de real havia. “O que eles imaginava existir, nós não sabemos até hoje. O episódio foi batizado de ‘Cabeça de Edimburgo’. A pedra de forma triangular, sustentada por uma base, posta sobre outra, um pouco arredondada, parecia ser uma escultura. As pedras produziam fantasias, inclusive com afirmações de que teriam sido esculpidas por seres extraterrestre.”
O patrocinador do livro Washignton Cinel era office boy da prefeitura à época e contou a Henrique de Aquino que, nos anos 7
, veio um pesquisador para ir até o local das escavações. “Esse pesquisador teria comentado que existiam livros publicados na Europa sobre isso.”
Vitrais de 195 estão na igreja
A Igreja de Nossa Senhora Rainha dos Anjos ocupa um lugar de destaque na praça central de Reginópolis. Nela estão 28 vitrais datados de 195
. Foram viabilizados através de doações de moradores e retratam o martírio de Jesus Cristo, muito em voga à época.
No ano de 2
7, o alto custo de um restauro especializado, a recuperação foi efetuada por pessoas da própria comunidade, comandadas por José Moisés Poladin e Nelson Tozini.
Cultura
O encontro semanal com audições ao vivo de violeiros, declamadores de poesia e contadores de histórias na rádio local, aliado a atuação constante de uma Banda Marcial, confirma a antiga tradição musical iniciada com grandes maestros.
Na memória dos moradores, as artes plásticas permanecem como forte referência, com telas de dois grandes pintores, Jurandir Montanher e José Bacan, além das caricaturas de Fausto Bergocce expostas em suas paredes.