Recebi e-mail de um amigo e, não resistindo a tantas verdades e exemplos de caráter, dignidade e honra nele descritos, permito-me transmiti-lo por meio desta Tribuna do leitor. Um artigo de jornalista professor emérito da Universidade de Brasília, nome que não declaro em virtude de, após muito pesquisar, não conseguir a sua confirmação. Mas o estilo jornalístico, a coragem e franqueza revelam esse homem aos que atuam nessa área. Como pista, suas iniciais: C.C. "Os generais presidentes... Comparações. Erros foram praticados durante o regime militar, eram tempos difíceis. Claro que no reverso da medalha foi promovida ampla modernização de nossas estruturas materiais. Fica para o historiador futuro emitir a mais uma evidência que salta aos olhos.
Quando Castelo Branco morreu num desastre de avião, verificaram os herdeiros que seu patrimônio limitava-se a um apartamento em Ipanema e umas poucas ações de empresas públicas e privadas. Costa e Silva, acometido por um derrame cerebral, recebeu de favor o privilégio de permanecer até o desenlace no Palácio das Laranjeiras, deixando para a viúva a pensão de marechal e um apartamento em construção, em Copacabana. Garrastazu Médici dispunha como herança de família, uma fazenda de gado em Bagé, mas quando adoeceu precisou ser tratado no Hospital da Aeronáutica, no Galeão.
Ernesto Geisel, antes de assumir a Presidência da República, comprou o Sítio dos Cinamonos, em Teresópolis, que a filha vendeu para poder manter-se no apartamento de três quartos e sala, no Rio. João Figueiredo, depois de deixar o poder, não agüentou as despesas do Sítio do Dragão, em Petrópolis, vendendo primeiro os cavalos e depois a propriedade. Sua viúva, recentemente falecida, deixou um apartamento em São Conrado que os filhos agora colocaram à venda, ao que parece em estado lamentável de conservação.
Não é nada, não é nada, mais cinco generais-presidentes até podem ter cometido erros, mas não se meteram em negócios, não enriqueceram nem receberam benesses de empreiteiras beneficiadas durante seus governos. Sequer criaram institutos destinados a preservar seus documentos ou agenciar contratos bem diferentes dos tempos atuais, não é? Por exemplo, o Lulinha, filho do Lula, era até pouco tempo atrás funcionário do Butantã/SP, com salário (já na peixada da política) de R$ 1.200,00 e hoje é milionário... Centenas de outros políticos também trilharam e trilham o mesmo caminho. Se fosse aberto um processo generalizado de avaliação dos bens de todos os políticos, garanto que 95% não passariam." Pois é, meu caro brasileiro; algum comentário diante desses fatos?
É evidente que a transparência aconselha este colaborador do Jornal da Cidade a não meter sua colher na sopa de ervas daninhas da política e dos políticos atuais. Apenas uma pergunta e uma afirmativa: será que esses políticos e seus partidos pensam que a sagrada democracia, a liberdade de ir e vir lhes dá o direito da imoralidade, corrupção e a desavergonhada impunidade? Total e absoluta falta de brasilidade, de sensibilidade e, infelizmente, solidariedade humana, cristã, de coração, sobrando-lhes apenas a desonra. Para terminar, nada mais próprio que o título do conhecido poema do nosso imortal Carlos Drummond de Andrade:
"E agora, José?"
Munir Zalaf