Regional

Assentamento está sem rede de água

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 2 min

Piratininga – Vinte e sete famílias que moram no Projeto de Assentamento Santo Antônio, próximo ao distrito de Brasília Paulista, em Piratininga (13 quilômetros de Bauru), reclamam da demora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em implantar no local rede de distribuição de água interligando os poços artesianos aos lotes. O Incra alega não ser responsável pela obra. Hoje, o Sindicato Rural de Bauru vai pedir a intervenção do Ministério Público (MP) para tentar solucionar o impasse.

O assentamento Santo Antônio existe oficialmente há aproximadamente nove anos. Há dois anos, de acordo com um dos assentados, que preferiu não ter o nome divulgado, o Incra construiu no local dois poços artesianos. “Os dois poços são suficientes para atender o assentamento todo, que é composto por 27 famílias”, afirma. “Mas a rede de água ainda não foi feita. O acordo feito com o Incra é que eles fariam os poços e trariam a rede de água até a entrada do lote de cada família”.

O que mais revolta as famílias é que, em contato com a Superintendência Regional do Incra em São Paulo, a associação que representa os assentados teria sido informada de que a verba para construção da rede de água – orçada em cerca de R$ 500 mil – já havia sido liberada há alguns anos. “A informação que a gente tem é que, em São Paulo, essa obra já consta como concluída”, revela. “A gente quer que o Incra conclua (a obra) porque está pela metade”.

Segundo o assentado, há aproximadamente um ano, parte do material que será usado na obra – como o encanamento – foi enviada pelo Incra ao local e está se deteriorando. “É dinheiro público que está sendo desperdiçado”, denuncia. Agora, as famílias temem pela aproximação da época das chuvas. “Hoje, cada família cava o seu poço e divide com o vizinho mais próximo. E nessa época de chuva é um grande problema porque nosso solo é bastante arenoso e aí os poços desbarrancam, as pessoas perdem as bombas, perdem todo o trabalho que foi investido”.

Para tentar solucionar o problema, hoje, o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, irá se reunir com a Promotora de Justiça de Piratininga, Flávia Maria José Bovolin. “Não adianta nada fazer os cursos (disponibilizados pelo Sindicato Rural) se os assentados não podem produzir porque não tem água”, declara.

“Aquilo é obrigação do Incra. Eles tiraram dinheiro para aquilo, já estava dentro do projeto. Se o dinheiro sumiu, alguém tem que prestar conta disso”.

Por meio da assessoria de imprensa, o Incra informou que assumiu o compromisso apenas de fornecer material às famílias para que elas próprias realizassem as obras da rede de distribuição de água. De acordo com o órgão, o material começou a ser entregue aos assentados em março de 2010. “A última parte foi entregue a eles no mês passado”, pontua.

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