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Cartões de Natal resistem à Internet

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Neide Carlos

Angélica Mayara acha romântio enviar cartões

Eles são coloridos, alguns brilhantes e todos trazem letras caprichadas com mensagens acolhedoras. A maioria tem a imagem do Papai Noel. Outros, de alguma figura bíblica. Alguns, mais modernos, “saltam” do papel e criam um efeito tridimensional. Assim são os cartões de Natal, que mesmo diante da agilidade proporcionada pela Internet, ainda são muito usados.

Segundo os Correios, a expectativa é de que, na região de Bauru, sejam comercializados 8 mil cartões em 2011. Se considerarmos que essa estimativa é só da empresa, tal número deve ser multiplicado exponencialmente. Muitas pessoas adquirem os cartões em livrarias e papelarias.

Nilo Sérgio Alves Júnior é gerente de uma livraria no Centro da cidade e garante que, nesta época do ano, os cartões chegam a faltar nas prateleiras. “O pessoal ainda procura bastante. Já saiu muita coisa. As pessoas já começam a comprá-los no meio de novembro. As vendas aumentam aos poucos, mas a média é que saiam mais de 50 cartões por dia”, explica.

Ele acredita que a Internet e as redes sociais não irão tirar o espaço da tradição dos cartões, uma vez que os postais fazem parte da “atmosfera natalina”. “Por mais inovador que a Internet seja, ela não vai substituir algumas práticas. O cartão tem todo aquele caráter tátil que a internet não possibilita. Além disso, junto com a árvore, compõe o cenário do Natal”.

A operadora de caixa Angélica Mayara, 21 anos, concorda com esse pensamento. Para ela, enviar um cartão natalino é algo mais “romântico”. “Costumo enviar para meus avós e namorado também. Por mais que exista a Internet, um cartão virtual vai sendo esquecido. Para mim, os cartões de papel sempre terão espaço”, acredita.

Em pouco tempo que a reportagem estava na livraria, não demorou para que a seção de cartões começasse a ser visitada. Foi o caso do casal de namorados Alencar Washington, 17 anos, e Patrícia Mikellaine, 15, que lia atentamente cada postal.

A adolescente estava procurando um cartão para uma amiga e queria algo que combinasse com ela. “Existem cartões de diferentes estilos. Temos que analisar a personalidade da pessoa para saber o que combina com ela. Quando acertamos, é um ótimo presente”, explica Patrícia.

 

Variedade

Como existe uma variedade de tamanhos, estilos e até de “recursos”, o preço dos cartões natalinos também varia muito. Porém, não se pode considerar um presente caro. Na livraria consultada pelo JC, o mais barato podia ser adquirido por R$ 0,40 e o mais caro por R$ 6,20.

O gerente Nilo Sérgio Alves Júnior afirma que a moda este ano são os cartões pop-ups, ou seja, aqueles feitos por meio de recortes que, quando abertos, “saltam” do papel. Esses, geralmente, são os mais caros.

Márcia Cousso, 33 anos, prefere os “mais aparecidos”. Ela, entretanto, “sofre” por ter uma família muito grande. “Nos anos anteriores, eu geralmente comprava uns 20 para todos os familiares. Este ano, vai ser ‘só’ uns dez mesmo”, conta.

Questionada sobre o motivo de os cartões ainda existirem mesmo com os avanços tecnológicos, ela aponta a maior qualidade dos postais tradicionais: o sentimento de ser lembrado. “Quando você recebe um cartão tradicional, não se sente esquecido. E sabemos que se sentir esquecido é algo péssimo, ainda mais nessa data tão especial como é o Natal”, finaliza.

 

Outras datas

Para quem vende cartões, o Natal é certamente o líder em demanda. Porém, presentear com um postal não deixa de ser uma boa pedida para outras datas comemorativas ao longo do ano. É o que afirma o gerente de livraria Nilo Sérgio Alves Júnior.

“Por ordem, após o final do ano, as campeãs em venda de cartões são o Dia dos Namorados, Dia das Mães e Dia dos Pais. Também sai muito para pessoas que buscam alguma reconciliação. Acho que o papel dá mais coragem”, brinca.


Empresas

É indiscutível que quem recebe um cartão se sente lembrado e, consequentemente, querido. A prática, porém, pode ser utilizada para além  das relações pessoais. É o caso das empresas que aproveitam os cartões com fins mercadológicos.

“Empresas compram centenas de cartões e mandam aos seus clientes. Geralmente, o investimento é barato e o retorno é grande. Quando um cliente recebe o cartão natalino, a empresa consegue fidelizá-lo”, explica o gerente de livraria Nilo Sérgio Alves Júnior.

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