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Gêmeos supostamente agredidos pelo pai estão em abrigo

Vitor Oshiro com Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Os irmãos gêmeos de 6 anos que foram socorridos em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Bauru após suspeita de terem sofrido espancamento e maus tratos do próprio pai na Pousada da Esperança, anteontem, foram abrigados pelo Conselho Tutelar. A informação é da própria presidente do órgão da cidade, Roberta Almeida de Oliveira, que, por motivos de segurança mantém o endereço do abrigo sob sigilo.

A presidente disse que os irmãos estão muito abalados. Segundo ela, eles teriam confirmado a agressão do pai, um pedreiro de 30 anos. "Eles disseram que apanharam com um fio branco. A conselheira que os atendeu confirmou que estavam bastante marcados".

O suposto crime foi divulgado ontem pelo JC após os vizinhos dos gêmeos terem acionado a polícia. O caso se tornou público quando, anteontem, um dos irmãos, portador de necessidades especiais (PNE), sofreu convulsão em sua residência. Como estavam sozinhos, foi o outro gêmeo quem pediu socorro à vizinhança.

Os dois foram levados à UBS da Vila São Paulo com ferimentos por todo o corpo. Um dos garotos, o portador de deficiência, estava inconsciente quando foi socorrido. Depois do atendimento, eles foram recebidos pelo conselho e abrigados.

Apesar de não ter revelado o endereço do abrigo, a presidente Roberta Oliveira garantiu que ele possui total estrutura para atender os dois irmãos, inclusive o PNE. "É um abrigo só para crianças, e do mesmo sexo. Lá, eles terão todo acompanhamento necessário. Ambos ficarão abrigados até algum familiar pedir a guarda ou o juiz decidir o que será feito".

Questionada se os gêmeos teriam contato com a mãe ou outros familiares próximos, a presidente do Conselho Tutelar de Bauru disse não ter esta informação.

Em relação ao atendimento que recebeu na UBS, a assessoria de comunicação da prefeitura argumentou que essas informações não podem ser divulgadas. De acordo com a assessoria, além do sigilo médico, o caso envolve crianças, o que redobra os cuidados com a divulgação. Assim, não foi confirmado se a causa de o garoto ter chegado inconsciente na unidade foram as agressões ou sua deficiência.

Foi registrado um boletim de ocorrência (BO) para apurar o caso. Nos registros, consta que o pai assumiu ter batido nas crianças. Até o final da tarde de ontem, porém, o registro não havia chegado à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), especializada responsável em investigar situações em que crianças e adolescentes aparecem como vítimas.

Ao JC, o pai disse que havia dado apenas um "corretivo" nos gêmeos com uma vara há cerca de 15 dias, e se defendeu dizendo que o filho especial sempre desmaia devido ao seu problema de saúde. Já a vizinhança contesta a intensidade desses "corretivos", denunciando os espancamentos e maus tratos.

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