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Mesmo com a queda de usuários, PS ainda é alvo de reclamação

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de passados cerca de cinco meses da inauguração da primeira Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Mary Dota e menos de um mês da segunda, no Jardim Bela Vista, o Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde já calcula redução de 30% do movimento no Pronto-Socorro Central (PSC). Entretanto, após conversar com usuários do PSC, a equipe de reportagem do JC apurou que as reclamações de demora e falhas no atendimento continuam.

De acordo com Luiz Antônio Bertozo Sabbag, diretor do DUE da Secretaria Municipal de Saúde, o número de atendimentos no PSC adulto diminuiu de cerca de 600 a 700 para aproximadamente 300 a 400 por dia, com exceção das segundas-feiras.

“Nós calculamos essa média de 360 consultas durante a semana exceto às segundas-feiras, quando o movimento aumenta, e aos domingos, quando o movimento diminui”, diz.

Conforme o previsto pelo setor, ao somar essas três unidades de saúde, a capacidade de atendimento se expandiu para uma média de 1.050 consultas diárias, sendo 200 do Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e 270 da UPA Bela Vista, segundo Sabbag. A expectativa é de que os usuários não sejam prejudicados com o acúmulo de atendimentos em decorrência dos “abusos” das festas de final de ano.

“Somando os atendimentos da UPA Mary Dota com a UPA Bela Vista, mais o PSC e mais o PAI, teremos uma média de 1.050 a 1.100 atendimentos diários. Então, hoje eu estou atendendo mais do que atendia antes. Melhoraram as condições de atendimento para todas as unidades, inclusive no PSC, que ficou ‘desafogado’ e deu uma qualidade melhor no atendimento nas outras duas unidades”, acrescenta Sabbag.


 

 

Demora

No Pronto-Socorro Central, ontem à tarde a reportagem do JC encontrou Evelyn Aparecida de Lima, 20 anos, aguardando por atendimento há mais de 30 minutos. Como a sala de espera estava totalmente ocupada por usuários, ela sentou-se do lado de fora. Estava com tontura e dor de cabeça, e optou por usar a unidade de saúde por conta da proximidade com a sua residência.

“Eu acho que o atendimento aqui não mudou em nada com a inauguração das duas UPAs e nem diminuiu o número de pessoas que procuram o Pronto-Socorro Central. Na última quinta-feira eu estive aqui com os mesmos sintomas e o médico sequer me receitou algo. Fiquei das 19h às 23h para ser atendida. Hoje (ontem) tive que voltar e com certeza terei que esperar mais”, critica.

Simone de Souza, 37 anos, estava há quase duas horas à espera de um médico que atendesse sua mãe, Tereza Nogueira de Souza, 78 anos, com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC). “Eu acho que aqui não mudou em nada com as UPAs. O Pronto-Socorro está sempre cheio, sem médico e o atendimento muito ruim”, opina.

 

Serviço

As Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) funcionam 24 horas, assim como o Pronto-Socorro Central. A UPA do Jardim Bela Vista fica na rua Marçal de Arruda Campos e a UPA do Mary Dota na quadra 2 da rua Pedro Salvador.

 

Mary Dota

Na UPA  do Mary Dota, a primeira a ser inaugurada em Bauru, em meados de julho deste ano, o clima ontem era mais calmo. Maria das Dores de Almeida Lopes, 54 anos, saiu de lá com a receita para o remédio correto para a cura de sua tosse e um sorriso no rosto.

“Eu frequento aqui desde quando não era UPA. O atendimento sempre foi bom. Hoje fui muito bem atendida, assim como da outra vez que estive aqui. Como moro no Núcleo Octávio Rasi, aqui é mais perto também”, destacou.

Joze Cristina Pereira Barsote, 29 anos, estava à espera de um dentista, serviço também existente na unidade de saúde. “Eu moro na Pousada da Esperança e vim para passar por um dentista. Minha mãe me indicou, já que ela usou o serviço daqui e gostou”, disse a jovem.

 

Unidade da Bela Vista

Na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do Bela Vista, segunda a ser inaugurada em Bauru, em 26 de novembro deste ano, a reportagem ouviu mais reclamações. Apesar da boa estrutura física para recepção dos pacientes, muitos destes, “ex-usuários” do Pronto-Socorro Central PSC, a reivindicação dos pacientes é pela melhoria do atendimento médico.

Aparecida de Souza, 51 anos, moradora do Núcleo Bauru 16, escolheu a UPA ao invés do PSC, como fazia antes. No entanto, ela disse estar arrependida e indignada com a forma com que foi atendida.

“Eu cheguei com dor no peito e tosse. Demorei cerca de 30 minutos para ser atendida e a médica não me diagnosticou nada, não pediu exames e nem me encaminhou para outro médico. O atendimento no Pronto-Socorro e aqui é ruim”, disse.

Danielle Regina Soares, 23 anos, também havia passado pelo médico da UPA com problemas de gastrite. Apesar de ter sido atendida com mais rapidez, ela criticou a ineficiência do atendimento médico. “Eu vim aqui porque moro perto. Fui poucas vezes ao Pronto-Socorro e achei que aqui seria melhor atendida, mas não fui. O atendimento é rápido, mas ineficiente”.

Segundo Luiz Antônio Bertozo Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde, a UPA do Jardim Bela Vista já possui um registro de cerca de 270 atendimentos diários. A  unidade de saúde contará com pediatria em 2012, o que também deve diminuir a procura pelo Pronto-Atendimento Infantil (PAI), que fica anexado ao PSC. “Já realizamos concurso público e queremos contratar dois pediatras no ano que vem”, frisou Sabbag.

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