A árvore é o meio para um fim: a fruta; mas, infelizmente, não creio que este mundo seja um lugar para desfrutarmos da fruta: doce e comestível. Este mundo se parece mais com a árvore: é lugar de trabalho, é lugar de preparação, é também um lugar onde a motosserra pode surgir de repente. Incentivada pela inquietude de sua natureza, a raça humana mantém um ritmo intenso de progresso material porque é sequiosa de conhecimentos, mas, principalmente, de dinheiro. Os neanderthalensis vão atrás de tudo o que acham que têm direito de ter e possuir, são agressivos, são cegos em relação às necessidades alheias, passam por cima de tudo, até da lei, passam pela vida sentindo que são os outros que os impedem de ser totalmente felizes.
Como seus antepassados europeus que conviveram com os Sapiens asiáticos, encaram a vida como uma corrida na qual o prêmio é entregue apenas àquele que chega em primeiro lugar. Assim, veem todos à sua volta como rivais, acham que todos desejam tirar-lhes aquilo que têm de melhor e o que os torna felizes e bem sucedidos.
Sua vitória independe do caminho a ser seguido. Sua vitória deve significar a nossa derrota. Seu amor é medido com base no "o que eu posso obter de você". Sua família não é uma unidade, é uma coleção de indivíduos vivendo no mesmo endereço, mas entrando e saindo, comendo e dormindo em horários diferentes. Cabe aos demais ficarem assustados e desconfiados; cabe aprenderem a ver, em todos os relacionamentos, a exploração e a vantagem, portanto, brevemente estarão condenados a viver segundo um padrão permanente de solidão, acuados, aprisionados, sem uma conexão humana significativa. Embora em certo momento necessária para que se possa restabelecer conexões e se preparar para novas batalhas, a solidão é dramática; ela drena a alegria da vida e a pessoa se sente como uma chama que se extingue por sufocação, por falta de oxigênio. Para não perdermos esta batalha, além do necessário rigor da Polícia e da Justiça, a educação também é uma alternativa. Assim, nosso desafio como educadores não é só fazer com que nossos jovens adquiram conhecimento. Independentemente de sua propensão para o bem ou para o mal, nosso desafio é fazer com que eles adquiram também habilidades sociais que os ajudem a vencer a alienação, a desconfiança, a solidão.
É preciso incutir neles a importância da convivência e da solidariedade; não podem ficar para trás os valores da introspecção, da amizade, do desprendimento e do amor fraternal. Num mundo globalizado onde cada pessoa é dependente do sucesso e do bem-estar dos outros, nosso sistema educacional não pode agravar a situação incentivando a competição.
Devemos priorizar a cooperação, o coletivo, destacar o compartilhamento e a ver os outros como colaboradores e não como combatentes porque nenhum homem é uma ilha; somos um sistema integrado em que cada parte incide positiva ou negativamente sobre o todo.
O autor, Paulo César Razuk, é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp - câmpus de Bauru