A Pátria amada encontra-se em degradante estado de putrefação moral. Escândalos, desordens e imbróglios registram a degradação. Retalhada por inúmeras ideologias, a politicalha se emporcalha na lama da terceirização do poder. Tudo está a ruir: ministérios, "ongs", educação, saúde, previdência social, sistema carcerário e estrutura familiar. Delinquentes destroem o patrimônio público travestidos de estudantes e o sistema educacional precário segue à deriva. Bandidos se deliciam com a descarada impunidade e a infância se deteriora a olhos vistos. E para silenciar a urbe enfurecida, surge o pacotão, onde embrulhados foram os três peritos em puxar o freio de mão do desenvolvimento: o servilismo, a submissão e a dependência. Porém ainda há quem teime em acreditar que além do arco-íris existe um enorme pote de ouro. Embora ninguém possa tocar o arcobaleno, tampouco tal tesouro, dizem os demagogos oportunistas que somente pelo fato de saber que ele existe e imaginar o luzir dos dobrões dourados, já é uma grande conquista social. Não confundir com o erário nacional, que longe de ser onírico é dilapidado e aquinhoado na feira da corrupção.
A retórica a salivar frases hilárias reborda a mídia e acampa os ares dizendo das maravilhas do arcobaleno e seu tesouro! Aprazível admirar o arco-íris, porém deveras importante seria avaliar o ócio advindo de tal prazer, o vergonhoso pecado da omissão, enquanto a Pátria clama enérgica tomada de decisão para sair de tão ardiloso cipoal. E tal transatlântico a submergir, enquanto o comandante a bordo de suntuosa fragata insiste em pedir calma à tripulação ensandecida pela falta de coletes salva-vidas, naufraga a Pátria Brasileira.
Ao correr da pena, assistimos a ordem abandonar o pendão da esperança que vivia a tremular pelos ventos tépidos da nação, deixando o progresso perigosamente pendurado no fio de tênue patriotismo. E assim, especialistas em crime de lesa pátria a tergiversar sobre o que não entendem, são eleitos. Verdadeiros Judas da modernidade que levam à crucificação não um, mas milhares de brasileiros que vivem em tormentoso estado de miserabilidade. E a exuberante Esmeralda do Atlântico desfalece e o povo que nela habita jaz nas filas que serpenteiam as calçadas, tal verme a cata de sustento, aguardando acanhadas sacolas com oferendas, resultado de "doações" dos beneméritos. Quem vive a rastejar pede para ser pisado! Viva o arco-íris! Aplausos para o intocável pote de ouro! Salve a holográfica igualdade de direitos!
Valderez de Mello - Escritora, poeta, advogada, pedagoga, psicopedagoga. Autora de Lágrimas Brasileiras, Flores Sobre o Rochedo eTrama e Urdidura