Política

Parque União ainda sonha com bosque

Vinícius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

Apontadas frequentemente como uma das principais reivindicações dos bauruenses, as opções de lazer são escassas em diferentes bairros dos municípios. Exemplo disso é a região do Bosque do Parque União, onde a Prefeitura de Bauru pretende urbanizar o local, criando espaço adequado para o lazer e a prática de esportes. No entanto, ainda não há projeto para que isso se viabilize. Enquanto isso, a população cobra e ainda espera que a gleba verde receba as instalações necessárias.

Um decreto do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB), desta semana, declarou de utilidade pública para fins de desapropriação uma área de 520 metros quadrados, que servirá para a ampliação da área do bosque. "Essa desapropriação vem de uma pendência judicial antiga e servirá para que o futuro parque chegue à avenida Nações Norte", explicou Valcirlei Silva, titular da Secretaria municipal do Meio Ambiente (Semma).

Existe uma solicitação para liberação de recursos via emenda parlamentar por parte do vereador Carlão do Gás (PR) ao deputado federal Milton Monti (PR). O pedido é no valor de R$ 900 mil e servirá justamente para a urbanização do bosque do Parque União. Existe a expectativa de que essa verba seja incluída no orçamento de 2012 da União.

O secretário Valcirlei diz torcer para que, de fato, os recursos cheguem aos cofres municipais. No entanto, admite que ainda não há projeto para a ação de urbanização no local, o que torna o tema um sonho mais distante. O secretário diz que a ideia para o local é para algo nos moldes do Bosque da Comunidade.

A única ação da administração no local foi a limpeza da área com supressão de vegetação e retirada de entulho do córrego que corta o bosque. Agora a Secretaria municipal de Obras trabalha em serviços de drenagem no local, que devem ser encerrados ainda esta semana. No entanto, Valcirlei pondera que um novo pedido de execução desse tipo de serviço foi solicitado à pasta por conta da nova área desapropriada. "Por conta da demanda da Obras, não sabemos quando isso poderá acontecer", contou.

Sem opções


Enquanto o parque não sai, os moradores das proximidades do parque se contentam com a limpeza da área pois o local, antes tomado por leucemas, era ponto de usuários de drogas e cenário para diversos crimes, inclusive noticiados pelo Jornal da Cidade.

O vendedor Flávio Antonio Alegria, 52 anos, lembra de uma ingrata surpresa na noite de Natal do ano passado, quando sua casa foi tomada pelo mau cheiro de um cachorro morto deixado no bosque. "Era um pit bull enorme e meu genro e eu tivemos que enterrá-lo. Não houve nem clima para a ceia", contou.

Apesar de reconhecer as melhorias, Flávio afirma que o bairro não conta com nenhum tipo de equipamento de lazer para a população. "Meus netos vêm aqui e não têm onde brincar. Nem para soltar pipa dá", afimou.

Já o motorista Marco Antônio Andrade, 41 anos, tem o hábito de, todos os finais de tarde, passear com a filha Luana Maia Andrade, 3 anos, e com a cachorrinha Flor. Ele conta que, muitas vezes, vai até a avenida Nações Norte. No entanto, relata que, após a limpeza do local, pode contornar o parque. "Antes, quando escurecia, não era mais possível porque aqui ficava tomado pelos usuários de droga", lembra.

No entanto, o homem conta que precisa levar Luana ao Bosque da Comunidade, na Vila Universitária, para que a filha tenha acesso a brinquedos públicos. "É fundamental que a gente possa ter um lugar como aquele perto de nós", disse Marco.

Ar livre

Um local adequado para a prática de exercícios em áreas públicas é outra reivindicação dos moradores. O vendedor Sudário Martins Ferreira, 49 anos, relata que se livrou do ambiente fechado da academia de ginástica depois da limpeza do bosque do Parque União. "Agora eu venho caminhar nessa trilha improvisada todos os dias", brinca.

Ele afirma, no entanto, que o local necessita de investimentos do poder público para estar, de fato, adequado à usufruo da comunidade. "Eles precisam arborizar, asfaltar uma trilha para caminhadas, instalar um parque para as crianças e até mesmo uma daquelas academias ao ar livre", sugere.

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