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Vida moderna põe entidades em crise

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

O ritmo frenético da vida contemporânea está se transformando em um grande problema para as entidades assistenciais de Bauru. Sem tempo para quase nada e cada vez mais dedicadas ao mercado de trabalho, as pessoas têm se afastado das iniciativas voluntárias junto às instituições filantrópicas, que enfrentam dificuldades para manter suas atividades.

A perda desta cultura dentro das famílias, na opinião do presidente da Associação das Entidades Assistenciais e Promoção Social (Aeaps), Edemilson Arias Pinotti, tem feito com que creches e casas de assistência social e de saúde sofram não apenas com a falta de mão de obra, mas também de recursos financeiros importantes para manter a regularidade dos atendimentos.

“Antes, a mulher não trabalhava e participava mais de ações sociais. Ela acabava envolvendo os filhos e, depois, o marido, quando ele aposentava. E essas famílias possuíam redes de contatos, mobilizavam grupos de amigos ou empresários que colaboravam financeiramente com as instituições. Esta dinâmica está cada vez mais rara”, argumenta.

Pinotti explica que a contribuição dos voluntários sempre foi o ‘motor’ para o funcionamento das entidades, já que os recursos públicos, sozinhos, não são suficientes para garantir plenamente as atividades. E, ao fim de cada ano, a situação é ainda mais agravada pela necessidade de gastos extras com pagamento de 13º salário.

“Nesta época, todas as entidades são penalizadas, porque não existe um 13º repasse. E, como os convênios precisam ser assinados anualmente, os trâmites burocráticos podem demorar para ser concluídos, fazendo com que algumas instituições só voltem a receber em março. Ainda que o repasse seja feito de maneira retroativa, em janeiro e fevereiro muitas delas passam apertado”, comenta.

Atualmente, a Aeaps possui 53 entidades afiliadas e, entre elas, muitas realizam eventos, bazares e campanhas na tentativa de regularizar suas contas. É o caso, por exemplo, da Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, que está promovendo sua 14ª edição do Sorteio de Prêmios para repor algum dinheiro em caixa.

Em 15 de agosto deste ano, a instituição foi descredenciada pelo Ministério da Saúde a realizar o teste do pezinho, serviço pelo qual recebia cerca de R$ 100 mil mensais. Por conta da desabilitação, teve de demitir 11 funcionários e arcar ainda com os encargos trabalhistas decorrentes das rescisões.

 

Preocupação

Até hoje, a Apae aguarda que a Secretaria de Estado da Saúde repasse o valor referente aos exames realizados entre os dias 1º e 14 de agosto. O dinheiro, um total estimado de 91 mil, serviria para pagar o 13º salário dos funcionários, que precisou ser atrasado.

“A situação é bastante preocupante porque, nesta época, deixamos de receber alguns repasses de convênios, que só serão retomados em março. Ainda estamos aguardando um posicionamento da secretaria”, comenta a presidente da Apae, Olga Bicudo Tognozzi.

Também enfrentando sua pior crise financeira, que resultou em perda de convênios e retirada de quase todos os seus internos, o Lar Escola Rafael Maurício voltou a se mobilizar para arrecadar fundos e saldar dívidas. Com nova diretoria, a instituição – que atende portadores de necessidades especiais - planeja uma série de ações para retornar às atividades.

“A primeira campanha será neste domingo. O evento “Um show de Natal” será realizado no Parque Vitória Régia com show do cantor Kiko Zambianchi, entre outras apresentações, para arrecadar brinquedos para as crianças do lar. No local, também iniciaremos a coleta de óleo de cozinha, que será vendido com renda revertida para a instituição”, esclarece a presidente Giane Vaz.

Atualmente, o Lar Escola conta com 11 funcionários, três internos e cerca de R$ 700 mil em débitos trabalhistas. Até o final de 2012, pretende quitar a dívida e firmar convênio com a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) para voltar a atender 29 jovens e adultos.

Para ampliar as atividades, outras medidas serão alugar uma área ociosa de aproximadamente 6.000 metros quadrados pertencente ao lar, buscar sócios corporativos que possam oferecer serviços voluntariamente e estimular a população a doar os créditos referentes à Nota Fiscal Paulista. Com isso, pretende cumprir o prazo dado pela promotoria da Infância e Juventude, até meados do próximo ano, para evitar a dissolução da entidade.

 

Funcionários da AHB não receberam 13º

Outra entidade que enfrenta grave crise financeira e caminha para a dissolução é a Associação Hospitalar de Bauru, o Hospital de Base e a Maternidade Santa Isabel. Além de contar com poucos recursos para o abastecimento de estoques de materiais e medicamentos ou mesmo modernização de seu parque tecnológico, a instituição ainda não conseguiu pagar o 13º salário de seus 1,2 mil funcionários.

De acordo com a médica Telma de Freitas, a associação solicitou, no início do mês passado, que a Secretaria de Estado da Saúde liberasse um recurso extra no valor de R$ 1,45 milhão para que os salários fossem quitados. Até o momento, no entanto, a pasta afirma que está avaliando a viabilidade do repasse, visto que já deposita mensalmente R$ 1,5 milhão para auxiliar na manutenção das duas unidades, além do custo referente à produção hospitalar via Sistema Único de Saúde (SUS).

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