Nova York - Criado para caçar um planeta gêmeo da Terra, o Telescópio Espacial Kepler já encontrou, pelo menos, dois “primos”. A Nasa anunciou a descoberta de uma dupla que tem quase o mesmo tamanho do nosso planeta. Os dois novatos orbitam uma estrela semelhante ao Sol, localizada a quase 950 anos-luz da Terra. Eles são, até agora, os dois menores planetas já registrados em torno de um astro.
Um deles é ligeiramente menor do que a Terra. O Kepler-20e tem 0,86 vez o raio terrestre. Já seu companheiro, o Kepler-20f, tem praticamente o mesmo tamanho. Seu raio é só 0,03 vez maior.
Os cientistas encontraram evidências de que os dois planetas têm estrutura rochosa, como a Terra, e apresentam uma composição parecida com a do nosso planeta.
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Os astrônomos, liderados por François Fressin, da Universidade Harvard, acreditam ainda que o Kepler-20f conte com uma densa camada de vapor d’água.
Apesar das semelhanças, ambos são provavelmente quentes demais para ter água líquida ou para abrigar vida.
O tempo que eles gastam para completar uma volta em torno de sua estrela é muito pequeno -6,1 e 19,6 dias-, o que indica que estão muito perto dela.
Em Kepler-20e, a temperatura fica em torno de escaldantes 760ºC - pelo menos 300ºC acima de Vênus e Mercúrio, os planetas mais quentes do nosso Sistema Solar.
Já o Kepler-20f, com 425ºC, é um pouco mais ameno, mas ainda assim infernal.
“Quanto ao potencial de abrigar vida, o anúncio de um planeta um pouco maior que a Terra, mas na zona habitável [região em que pode haver água em estado líquido), foi mais relevante”, disse Carolina Chavero, pesquisadora de astronomia e astrofísica do Observatório Nacional.
Divulgado há duas semanas, o planeta Kepler-22b fica numa região “aconchegante” de uma estrela do tipo G, o mesmo do Sol, a 600 anos-luz de distância.
“O anúncio de agora, porém, mostra a capacidade cada vez maior de processar dados e extrair deles descobertas. Há dez anos, somente planetas gigantescos, do tamanho de Júpiter (o maior do Sistema Solar), eram detectados”, completou a cientista da Nasa.
Além da dupla, a estrela Kepler-20 também tem outros três planetas ligeiramente maiores em sua órbita.
A distribuição dos planetas nesse sistema está intrigando os cientistas.
Os pesquisadores verificaram que os rochosos e os gasosos estão intercalados.
No Sistema Solar, por outro lado, os rochosos se concentram perto da estrela-mãe, enquanto os gasosos ficam mais distantes. Em outros casos, há grandalhões mais perto da estrela.
Segundo os autores do trabalho, publicado na versão on-line da revista “Nature”, o estudo dos planetas pode dar pistas sobe essa distribuição. Devido a limitações tecnológicas, porém, isso pode demorar a acontecer.
Lançado em 2009, com o intuito de “caçar planetas”, o Telescópio Espacial Kepler multiplicou a quantidade desses objetos identificados.
O artefato de US$ 60 milhões monitora mais de 150 mil estrelas em busca de pequenas variações no brilho dos astros que denunciem a presença de planetas. Até agora, já são 2.326 candidatos e 33 confirmados.