Cultura

Contra a violência, dá-lhe break

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 3 min

Luis Enrique Frabetti, mais conhecido como b-boy Major, tem 23 anos e experiência de sobra quando o assunto é cultura hip-hop. O bauruense, de origem humilde, se destaca Brasil afora em campeonatos de break e diz acreditar no potencial do movimento hip-hop para afastar os jovens da criminalidade e de tantos outros problemas. "Não só acredito como eu sou prova disso. Eu cresci tendo a oportunidade de vender drogas, usar drogas, mexer com arma. Vivi lado a lado com a violência. Mas a dança passou a ser mais forte e significante, se tornou um grande referencial para mim", conta o rapaz. "Creio que a cultura é uma das formas mais poderosas para afastar as pessoas de coisas ruins, não somente da marginalidade, mas de várias outras situações e problemas".

O envolvimento com a cultura hip-hop começou no Parque Jaraguá. "Todo mês um caminhão-palco passava por bairros periféricos de Bauru com apresentações de break", recorda. "Quando vi pela primeira vez, gostei muito da dança e tive muita vontade de aprender. Pouco tempo depois, recorri ao Núcleo de Apoio à Família (NAF) do meu bairro que oferecia oficinas de break, grafite e rap. Aí, eu comecei a aprender mais sobre a dança e praticar junto com amigos. As oficinas acabaram, mas continuei treinando por conta própria", conta Major, que tinha 15 anos na época.

Hoje, o b-boy faz do break seu estilo de vida. "Eu vivo da dança. Sou professor de break da ONG Periferia Legal e já participei de inúmeros campeonatos pelo País", aponta. "Há campo profissional para quem dança break, mas é preciso dedicação e trabalho", salienta.

Com uma trajetória que ganhou admiração de muitos, Luis Enrique já participou de importantes competições de dança em vários cantos do Brasil, como o Duelo de Titãs, em São Jose do Rio Preto; o campeonato paulista Tricks vs Tricks, em Indaiatuba (SP); Master Crews, um dos maiores campeonatos de breakdance da América Latina; além de competições mundiais bastante notórias, tais como The Ibe e Battle of The Years. "Estes são alguns dos maiores campeonatos do mundo de break e participei da eliminatória dos dois, levando o 4.º lugar no Battle of The Year", sublinhou. Em fevereiro próximo, b-boy Major parte para em fevereiro desembarca na Venezuela para participar das eliminatórias do Eight One.


Hip-Hop no Brasil

Na visão de b-boy Major, a cultura hip-hop no Brasil começa a ganhar corpo e admiração, principalmente através da dança. "O break vem crescendo bastante no Brasil, tanto que vemos com frequência muitos eventos voltados ao hip-hop, ao break", destaca. "Lá fora é mais valorizado ainda. Há países em que o governo paga salários para os dançarinos. Mas o Brasil está amadurecendo nisso também. Os eventos ajudam a garantir visibilidade para o pessoal daqui", afirma. "E nós temos algumas particularidades que nos diferencia. Nós misturamos elementos da capoeira, do samba... temos um gingado diferente", enfatiza.

O rap, um dos grandes pilares da cultura hip-hop, tem ganhado notoriedade na mídia. No entanto, a forma com que é veiculado, muitas vezes, acaba distanciando-o de suas verdadeiras raízes e do próprio movimento hip-hop. "O rap foi lançado pelo break, foi a dança que empurrou o rap para frente. Mas atualmente o rap se distanciou do break. Os únicos pilares que caminham juntos ainda é o DJ e o break, pois não há como separar a música da dança", comenta o b-boy Major. "Nem todos rappers fazem rap de verdade. Há grupos que não pertencem à cultura hip-hop. Eles cantam músicas rimadas, com batidas, mas não falam nada sobre a cultura, só falam de dinheiro, mulher, carrão... a questão financeira acaba pesando mais", observa. "Mas essa situação não ocorre somente na cultura hip-hop. Hoje vemos vários estilos musicais perdendo suas raízes".

O breakdance é um estilo de dança de rua, parte da cultura do hip-hop criada por afro-americanos e latinos na década de 1970 em Nova Iorque, Estados Unidos. O breakdancer, breaker, b-boy, ou b-girl é o nome dado ao praticante de breakdance. A dança é um dos pilares que compõem a cultura do hip-hop, além do DJ, do rap, do grafite, entre outros.

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