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Curiosidades dos símbolos de Natal

Luis Beltramim
| Tempo de leitura: 6 min

Esta reportagem não tem a missão, tampouco a pretensão, de desmistificar qualquer símbolo ou crença natalina. O objetivo do texto é desvendar, conforme estudo de anos feito pelo teólogo bauruense José Rubens Maranhão Júnior, o verdadeiro significado de alguns ícones da festa em homenagem ao nascimento de Jesus Cristo, independentemente de dogmas.

Os estudos, diferencia José Rubens - engenheiro civil na primeira formação e, graças à curiosidade e paixão pela leitura da Bíblia, debruçou-se por anos em documentos e no próprio Livro Sagrado -, servem para trazer o real sentido da veneração aos personagens e demais simbologias que representam o Natal.

"Me formei em engenharia e sempre me interessei muito por assuntos relacionados à Bíblia. Alguns anos atrás fiz o curso de teologia, em São Paulo, e agora finalizo minha tese de mestrado", detalha, prestes a concluir curso de pós-graduação em administração eclesiástica.

Semanalmente, Maranhão Júnior, que é formado nas Faculdades Teológicas da Assembléia de Deus, conduz um grupo ecumênico de estudos bíblicos. "Temos um grupo de 30 pessoas, com budista, espírita, católico e envangélico, que se reúne aos sábados. Estudamos, mas não falamos de religião. Falamos sobre a Bíblia, traduzimos textos, sem interpretações ou invenções", garante. "A preocupação não é entrar no campo de incentivar uma ou outra religião", completa.

E é com o mesmo propósito da discussão independentemente a crenças e dogmas que o estudioso trouxe nesta semana, ao JC, alguns tópicos curiosos sobre o Natal e seus reais significados. A criação da árvore de Natal, o surgimento do Papai Noel, a data em si, entre outros, para muita gente, talvez, nunca mais sejam vistos da mesma forma. No final das contas, lembra o estudioso, o que vale é venerar o nascimento de Cristo e saudar a paz entre as pessoas queridas.


Noel Verde : São Nicolau Tamaturgo é o verdadeiro Papai Noel, ou Papai Natal em seus primórdios. Ele era um bispo da Turquia, que no ano 280 d.C resolveu presentear crianças pobres com moedas dentro de sacolinhas, algo, segundo o estudioso, incomum para a época. "Era um padre muito bondoso e um dos primeiros na igreja católica que ajudou aos pobres e às crianças", comenta. O mais curioso é que, diferentemente da roupa vermelha, o traje do bom velhinho era verde com detalhes branco e prata. O visual foi alterado, segundo Maranhão Júnior, em 1886, quando o cartunista alemão Tomáz Nast repaginou o Papai Noel para sair na capa da revista "Harper?s Weeklys". "A alteração foi por conta do cartunista", atribui.

E a Coca-Cola? Fato é que, mesmo não sendo de responsabilidade da mundialmente famosa marca de refrigerantes, há um fundo de verdade na tese de que a Coca-Cola teria inventado o Papai Noel. Acontece que, um bom tempo depois da publicação na Alemanha, a poderosa corporação norte-americana, comenta o teólogo, se apoderou do Papai Noel como garoto propaganda. Convenhamos: a empresa, já na época, tinha muito mais visibilidade que a quase incógnita revista germânica. "Não foi a Coca-Cola quem o inventou ou o transformou. Mas a revista tinha a circulação pequena", comenta.

Árvore de Natal: Muita gente acha que o costume de enfeitar a casa, o trabalho e até as ruas com as bolas coloridas, guirlandas e, principalmente, a tradicional árvore é herança da religião católica ou de qualquer outra denominação. Mas, na realidade, não se trata de um hábito religioso. A árvore de Natal, por exemplo, observa o teólogo bauruense, é criação de Martinho Lutero. A principal figura da reforma protestante introduziu o pinheiro na tradição cristã em 1510, conta Maranhão. Após andar pela floresta de Riga, na região do Bálcãs, na região sudeste da Europa, ele resolveu enfeitar um deles. "Todos os brasileiros usam a árvore nas casas e imaginam que isso seja algo religioso. Lutero andava na floresta e viu um pinheiro e teve a ideia de levar para casa, onde o enfeitou com frutas e velas. Isso só virou algo comercial, com bolas e luzes muito depois, quase perto de 1900", detalha.

Presépio "ficção": Não há qualquer dúvida de que Jesus nasceu no estábulo, garante o pesquisador. No entanto, ressalta o estudioso, há uma pequena diferença entre o fiel retrato do que seria a visita dos reis magos ao Menino Jesus. Os tradicionais presépios retratam o cenário ainda no local em que Cristo nasceu. Contudo, salienta o teólogo, essa visita ocorreu, segundo seus estudos, já numa casa, para onde a Virgem Maria e José levaram o Menino após o nascimento.

"O imperador romano Cesar Augusto ordenou que fosse feito um Censo e que todas as famílias deveriam regressar para Belém", observa. "Os magos seguiram a estrela até Jerusalém. Quando chegaram lá, foram informados de que o nascimento ocorrera em Belém. Demoraram mais três dias para chegar a Belém. Quando os Magos chegaram o Bebê Jesus não estava mais na estrebaria, mas na casa."

Eram reis os três magos? Maranhão Júnior, conforme seus estudos, relata o esclarecimento bíblico de que Belquior, Baltazar e Gaspar, os três reis magos que presentearam o Menino Jesus, respectivamente, com ouro, incenso e mirra, na realidade, eram magos, e não reis. Do grego, detalha o estudioso, o termo mago, ou "magoi", refere-se a quem se guia pelas estrelas, sejam eles astrônomos ou astrólogos.

Brasil, o ?País do Natal?: Prestes a iniciar o doutorado nos estudos bíblicos, Maranhão Júnior visitou quase cinquenta países ao redor do mundo e testemunha. Não há celebração tão familiar no Natal quanto no Brasil. "O momento é de extrema sensibilidade, principalmente no povo brasileiro, até mais que nos Estados Unidos, um país evangélico, mas com a celebração familiar mais forte no Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day)", compara. Presentes são trocados e há muita fartura. No entanto, lembra o estudioso: independentemente de denominações, a celebração se dá em torno do nascimento de Jesus.

Hoje ?não? é Natal: Pelo menos na teoria, porque na prática obviamente estamos em plena data da confraternização pelo nascimento de Cristo. Segundo os estudos bíblicos notados pelo teólogo, 25 de dezembro não poderia ter sido a data em que Jesus veio ao mundo. Isso porque, no final do ano, na região onde ocorreu o nascimento, o inverno é rigoroso. Não havia animais na estrebaria onde a Virgem Maria deu à luz, os mesmos estavam soltos. Caso houvesse frio e neve, o cenário seria completamente diferente, salienta José Rubens, estimando que o nascimento de Jesus teria ocorrido por volta dos meses de setembro ou outubro. "Absoluta certeza que não é 25 de dezembro. O único lugar que fala sobre o Natal é a Bíblia, aonde recorremos."

Presentes: Os três magos, ou astrólogos, como salienta o teólogo, presentearam o Menino Jesus com mirra, incenso e ouro. Os mimos foram entregues porque eles tinham a convicção de que encontrariam um rei. Na época, descreve José Rubens, era protocolo nunca chegar de mãos vazias perante qualquer realeza.

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