Auto Mercado

Dr. Automóvel: Tecnologia moderna

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini
| Tempo de leitura: 4 min

O Brasil passa por uma fase interessante relacionada aos novos carros que entram no mercado. A abertura aos estrangeiros fez uma coisa muito boa: ofereceu um novo patamar de comparação com os carros nacionais e fez com que as montadoras aqui instaladas se mexessem rapidinho para não perder terreno. Tanto é que agora temos veículos de todos os tipos de fabricação nacional com tecnologia igual aos importados de mesma categoria. A diferença é que ainda somos um país pobre e a faixa mais luxuosa dos carros continua sendo importada, pois não há volume de vendas que justifique a escala de produção local. Isto cria nichos de mercado que são muito bem aproveitados pelas montadoras aqui instaladas, que fabricam localmente os veículos de maior demanda e importam os de nicho vindos de suas fábricas no exterior.

A partir desta matéria, vamos avaliar pelo menos uma vez ao mês algum veículo novo lançado no mercado e fazer os comentários nesta coluna de forma imparcial como sempre.

Semana passada, recebi um convite da Vera Cruz, concessionária Mitsubishi de Bauru e região, para um test drive no novo Lancer recém lançado. Claro que fui conferir de perto. Primeiro tomei contato com o veículo de teste exposto no saguão da loja, acompanhado pelo Daniel, pelo Fernando e o chefão José Augusto, que demonstrando total transparência, me pediu "as virtudes do carro eu já conheço, me mostre os defeitos". Eu procurei e achei alguns, no meio de tantas virtudes. Vamos conhecer o carro e suas armas para enfrentar a concorrência.

A primeira coisa que impressiona é o estilo, com o bocão tradicional da marca (herdado da linda versão Lancer Evolution de rali) e cara de mau. Assim se destaca dos concorrentes com cara de tiozão e abre novas frentes de comercialização. Achei muito bonito e imponente.

O carro testado tinha câmbio CVT, automático continuamente variável com opção de troca manual por borboletas no volante (paddle shifter). A maciez da transmissão é muito boa e o CVT faz com que o motor sempre trabalhe na faixa ideal de torque para a situação, já que pode selecionar linearmente qualquer relação de marchas entre 2,349 e 0,394 sem degraus. Se o motorista preferir escolher as trocas manuais pelas borboletas, terá 6 relações pré-selecionadas dentro desta faixa. Ainda existe uma versão com câmbio manual de 5 velocidades.

O motor é um 2.0 16V de comando de válvulas variável, que despeja 160 CV de potência e 20 kgm de torque de forma bem linear. Isto dá força ao conjunto e um bom desempenho. Não vamos confundir característica com defeito. O CVT transmite muita segurança e suavidade, mas se quiser resposta mais rápida use a troca manual com as borboletas e desfrute dos 160 CV do motor. Em um teste dinâmico de rodagem em cidade e estrada, pude conferir que é muito estável, freia muito bem (tem ABS de série), responde bem aos comandos, ultrapassa com facilidade e segurança e dá uma sensação de que se pode viajar por longas horas com total conforto, que é o que interessa na vida real. Sentei no banco de trás e ainda sobraram 4 dedos de folga entre os joelhos e o encosto dianteiro, o que dá muito conforto.

A ergonomia é muito boa, com os bancos reguláveis em inclinação, distância e altura. Não tem como não achar a posição ideal. Bancos confortáveis em tecido ou opcionais em couro, que vem de série na versão GT, não testada mas ao menos "sentada" no saguão da loja. Esta versão difere apenas pelo número de equipamentos e acessórios disponíveis, que tornam o veículo mais completo e luxuoso (e bem mais caro).

Digno de nota é o capricho na tecnologia da dobradiça do portamalas, que é pantográfico (muito bem feito) e não rouba espaço da bagagem, por ficar na parte superior junto à carroceria. As malas não serão prensadas quando fechar a tampa. Muito legal!

Agora os defeitos, como pedido pelo José Augusto. Deu trabalho, mas achei 3. O primeiro é com relação ao painel de instrumentos que é bem completo, mas o restante parece um pouco simples para o padrão ($) do carro. O segundo é a rumorosidade dos pneus, que com nosso *#%& asfalto transmite barulho para o interior. Faltou mais isolação acústica às caixas de roda e assoalho. O outro defeito, mais sério por sinal, é o fato de ser importado e poderá vir a sofrer com o aumento abusivo da alíquota de IPI (a Mitsubishi já está se mexendo, mas esse governo...), o que poderá impedir que eu tenha um ótimo carro na garagem a curto prazo...

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