A vida criminosa de “Dioguinho” gerou dois filmes: “As Aventuras de Dioguinho”, em 1916, pela Cia. Paulista de Filmes e, em 1957, outra versão do faroeste caboclo foi feita pela Cia. Sino Filmes. Batizada de “Dioguinho”, a fita foi rodada na fazenda Guatapará, região de Ribeirão Preto.
O primeiro filme foi dirigido por Guelfo Andaló e teve Antonio Latari no papel de “Dioguinho”. No elenco figuram ainda: Georgina Marchianni no papel de Mariquinha, a namorada do bandido e José Cappote, no papel de Joãozinho.
Uma sessão especial de lançamento do filme foi apresentada para a imprensa e convidados em janeiro de 1917, no Cine Central, avenida São João, Centro da Capital paulista. A fita foi sucesso de bilheteria e de público, à época.
“Dioguinho”, lançado em 57, tem cópia arquivada na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. A direção, Carlos Coimbra e Hélio Souto figuraram no papel de “Dioguinho”, e John Herbert no papel de Joãozinho.
Uma das produções mais caras da Cia Vera Cruz, o “Tico-Tico no Fubá” teve uma alusão ao “Dioguinho”, com duas aparições, em 1952. A fita que é uma biografia romanceada do grande compositor paulista, Zequinha de Abreu foi interpretado pelo ator Anselmo Duarte.
A primeira aparição de “Dioguinho” no filme acontece em uma das cenas do casamento do compositor, onde ele aparece na festa, deixando estupefatos e atônitas todas as pessoas. Ele entrega um presente aos noivos, obriga os convidados a dançarem e vai embora, para alívio geral.
Na outra aparição, “Dioguinho” aparece no coreto da praça central da cidade de Santa Rita do Passa Quatro galopando seu cavalo. Ele trazia na garupa um músico local, amigo de Zequinha, que vinha de São Paulo e traz a notícia de que a música “Branca” do compositor tinha sido impressa na capital do Estado. “Dioguinho” deixa o músico junto ao coreto, onde está a banda e autoridades. Para alívio geral, vai embora galopando em seu cavalo.
Em 1990, a história de “Dioguinho” foi registrada em um documentário da EPTV e João Garcia Produções. Foi exibida em forma de minissérie na região de Ribeirão Preto. A narração foi de José Márcio Castro Alves e Marcos Fratechi. As reportagens foram de autoria de Celito Esteves e a direção ficou a cargo de Maria Rúbia Vieira.
Em forma de pesquisa, o documentário ouviu pessoas em cidades onde “Dioguinho” atuou. Em Botucatu, foram ouvidos Eduardo Zicari que conheceu a mulher de “Dioguinho”. Emílio Malleus, então com 97 anos, cuja mãe, dona Pachoa Biazini Malleus ajudou a fazer o parto de “Dioguinho”, e ainda carregou-o no colo. Em Itatinga, Rosa Botelho falou com o repórter. Ela era neta de Constância da Rocha Figueira, irmã de “Dioguinho”.
Muitas composições sertanejas tiveram “Dioguinho” como inspiração. O cantor botucatuense Antenor Serra, o “Serrinha”, compôs as músicas, nas letras de Ado Benatti e Anacleto Rosas, intituladas: “Os Crimes de Dioguinho” e “A morte de Dioguinho”. Fazendo dupla com Caboclinho, ele gravou as melodias.
Bandido antissocial
O memorialista Celso Prado de Santa Cruz do Rio Pardo tem uma extensa pesquisa sobre a vida de “Dioguinho”. Em um dos tópicos de sua pesquisa, “O retorno de Dioguinho”, ele coloca em dúvida a morte do bandido antissocial, segundo ele.
Como o corpo de Dioguinho não foi encontrado figurou à época como um desastre perante a opinião pública e causou sérios embaraços às autoridades. “Dioguinho não teria morrido naquele embate no Rio Mogi. A suspeita ganhou espaço quando em junho de 1898, o coronel Francisco Bonfim foi tocaiado e morto em Cravinhos. ‘Dioguinho’ estaria vivo e à caça de seus detratores.”
Pouco depois Libânio Pinto Goulart desapareceria, dizem que assassinado por “Dioguinho” e lançado no Rio Mogi. Um inquérito policial a respeito não comprovou suspeitas que “Dioguinho” estivesse vivo. “Para as autoridades, oficialmente ‘Dioguinho’ estava morto. Os acontecimentos seriam ajustes entre os coronéis, que não toleravam famílias vinculadas aos envolvidos no caso ‘Dioguinho’, que então deixaram a região mogiana migrando para Santa Cruz do Rio Pardo, rico município no Sertão do Paranapanema, onde já residentes alguns parentes desde os anos de 1880.”
Segundo Prado, ‘Dioguinho’ teria sido visto vivo em localidades dos Estados do Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso (quando unificado) e em cidades paulistas, entre outras, nas regiões de Assis, Candido Mota, Botucatu e até em São Paulo, capital. “Teria sido preso em Minas Gerais, em 1902.”
Vários parentes de “Dioguinho” afirmaram que ele morreu em 1947, de morte natural.
“Moacir Bernardo menciona em seu livro, “A Vida Bandida de Dioguinho” que o bandido morreu de morte natural”, conta o memorialista.