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2012: um ano mais humano

Luiz Antonio Lopes Ricci
| Tempo de leitura: 2 min

No primeiro dia deste ano que findou, fomos interpelados pela feliz iniciativa do Jornal da Cidade para "fazer de 2011 um ano mais humano". Nesse tempo de avaliação, reflexão, agradecimento, encontros e formulação de bons propósitos para o próximo ano, cremos ser importante retomar e repropor a mesma interpelação: o que eu posso fazer para tornar 2012 um ano mais humano? Antes, o que eu fiz para tornar 2011 mais humano?
O caminho da humanização não tem fim. Quanto mais humanos, mais tomamos consciência que temos ainda um longo percurso de humanização. A vida humana e espiritual tem por objetivo ajudar o ser humano a ser o que ele pode e deve ser: melhor e realizado. Vida realizada é vida feliz. Vida feliz consiste em saber que a própria vida não está se passando em vão ou sendo infrutífera. O ser humano pode se elevar, se plenificar, embora tenha consciência que a plenitude e completude está reservada para a vida eterna como bem descreveu Santo Agostinho, "fizeste-nos para ti Senhor e inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar em ti". Ser melhor não significa ser completo e perfeito. Quanto mais somos humanos, mais nos aproximamos da divindade. Há pessoas que buscam a divindade e a evolução desprezando ou negando a própria humanidade. Ledo engano! Quanto mais humanos, melhores seremos. Afinal, tudo aquilo que é verdadeiramente humano é também divino, pois Jesus assumiu a nossa condição humana no Natal que acabamos de celebrar. Como diz L. Boff: "Jesus foi tão humano que só podia ser Deus e foi tão Deus que só podia ser homem".

O mundo contemporâneo carece de humanismo. Fala-se muito em humanização no mundo da saúde, ciências, tecnologias, economia, política, trabalho etc. Constata-se hoje um excesso de conhecimento e informação, porém pouco humanismo nas relações. A solidariedade e comprometimento com o semelhante potencializam nossa humanidade. Por isso, vejamos o que podemos fazer em âmbito pessoal, comunitário e social para que 2012 seja um ano mais humano e que o relevante tema do Jornal da Cidade para o Natal deste ano "todos por todos" seja um imperativo que oriente nossas escolhas e ações. Se, como afirmou Dostoievsky, "somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros", igualmente somos responsáveis por tudo e por todos. Assim, o foco não ficará na possibilidade de fim do mundo em 2012 - como alguns acreditam - mas na plausibilidade de construir um outro mundo possível: mais humano e melhor para nós e para as gerações futuras.


O autor, Luiz Antonio Lopes Ricci, é padre e colaborador do JC

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