No primeiro dia deste ano que findou, fomos interpelados pela feliz iniciativa do Jornal da Cidade para "fazer de 2011 um ano mais humano". Nesse tempo de avaliação, reflexão, agradecimento, encontros e formulação de bons propósitos para o próximo ano, cremos ser importante retomar e repropor a mesma interpelação: o que eu posso fazer para tornar 2012 um ano mais humano? Antes, o que eu fiz para tornar 2011 mais humano?
O caminho da humanização não tem fim. Quanto mais humanos, mais tomamos consciência que temos ainda um longo percurso de humanização. A vida humana e espiritual tem por objetivo ajudar o ser humano a ser o que ele pode e deve ser: melhor e realizado. Vida realizada é vida feliz. Vida feliz consiste em saber que a própria vida não está se passando em vão ou sendo infrutífera. O ser humano pode se elevar, se plenificar, embora tenha consciência que a plenitude e completude está reservada para a vida eterna como bem descreveu Santo Agostinho, "fizeste-nos para ti Senhor e inquieto estará o nosso coração enquanto não repousar em ti". Ser melhor não significa ser completo e perfeito. Quanto mais somos humanos, mais nos aproximamos da divindade. Há pessoas que buscam a divindade e a evolução desprezando ou negando a própria humanidade. Ledo engano! Quanto mais humanos, melhores seremos. Afinal, tudo aquilo que é verdadeiramente humano é também divino, pois Jesus assumiu a nossa condição humana no Natal que acabamos de celebrar. Como diz L. Boff: "Jesus foi tão humano que só podia ser Deus e foi tão Deus que só podia ser homem".
O mundo contemporâneo carece de humanismo. Fala-se muito em humanização no mundo da saúde, ciências, tecnologias, economia, política, trabalho etc. Constata-se hoje um excesso de conhecimento e informação, porém pouco humanismo nas relações. A solidariedade e comprometimento com o semelhante potencializam nossa humanidade. Por isso, vejamos o que podemos fazer em âmbito pessoal, comunitário e social para que 2012 seja um ano mais humano e que o relevante tema do Jornal da Cidade para o Natal deste ano "todos por todos" seja um imperativo que oriente nossas escolhas e ações. Se, como afirmou Dostoievsky, "somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros", igualmente somos responsáveis por tudo e por todos. Assim, o foco não ficará na possibilidade de fim do mundo em 2012 - como alguns acreditam - mas na plausibilidade de construir um outro mundo possível: mais humano e melhor para nós e para as gerações futuras.
O autor, Luiz Antonio Lopes Ricci, é padre e colaborador do JC