Bauru mais uma vez presenciou a triste cena de sofrimento de um animal de tração. Foi publicado no Jornal da Cidade do dia 28/12 a matéria sobre a égua Paloma e sua breve vida, encerrada com vergonha e descaso. Como todo animal de tração que circula por essa cidade, Paloma com certeza puxava a carroça de seu dono até o último fôlego, arrastando um peso maior do que poderia suportar de uma forma saudável e, no final de tudo, não podendo ter seu descanso, pois era preciso trabalhar novamente. Trabalhar pela comida de toda uma família.
De uma família que sobrevive de forma muito simples, que mal tem acesso à saúde, quanto mais a um veterinário para cuidar de forma correta de Paloma. Quando seu dono tentou fazer alguma coisa dentro de suas pequenas possibilidades já era tarde demais. Paloma ainda ficou deitada no asfalto quente esperando para ser levada ao CCZ e receber seu diagnóstico: sacrifício. Nesses momentos, quando me deparo com casos assim estampados nas páginas do jornal, me pergunto: onde está o poder público (como em todos os outros casos que levam nossa cidade a um pequeno apocalipse), e qual razão de nada ser feito com os cidadãos que utilizam animais de tração, assim como com os animais?
Qual o motivo de não existir um cadastro dos carroceiros e um acompanhamento dos animais junto aos veterinários do CCZ? Por que a realidade dessas personagens não recebe a atenção merecida? Com qual intuito nós só nos comovemos no momento em que vemos um cavalo caído no meio da rua, e não mudamos nada para os outros que andam por aí? Onde está a nossa humanidade capaz de enxergar além dos muros que separam classes e espécies, e capaz também de realizar mudanças?
Você, leitor, não imagina como essas perguntas me perturbam. Mas será que perturbar é o suficiente? Que os pensamentos a respeito de toda essa desigualdade que vivemos não acabem só em papéis, mas em ações concretas que beneficiem nossos carroceiros e seus cavalos, ambos integrantes de um só todo: a nossa Bauru.
Beatriz Avallone