A cena é comum: o celular toca quando o dono do aparelho está dirigindo mas, mesmo assim, ele atende à chamada. Em tempos de convergência digital, as pessoas se tornaram reféns das novas tecnologias e, não por acaso, fazer uso do telefone móvel ao volante se tornou uma das infrações mais comuns no trânsito de Bauru.
Entre janeiro e novembro do ano passado, foram 7.267 flagrantes de motoristas colocando sua vida e de outras pessoas em risco enquanto dirigiam e falavam ao celular. Trata-se de uma média de quase 22 autuações por dia. Em todo o ano de 2010, foram 9.839 multas aplicadas devido a este tipo de infração.
O uso de celular ao volante figura como o segundo principal motivo das multas de trânsito na cidade, perdendo apenas para trafegar acima do limite de velocidade, segundo informou matéria publicada na edição de ontem do JC.
Os números consideram todas as notificações elaboradas pela Polícia Militar e pelos "azuizinhos" do Grupo de Operações de Trânsito (GOT) da Empresa Municipal do Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).
Atualmente, Bauru conta com mais de 400 mil celulares, segundo estimativa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Com uma média de 12 aparelhos para cada dez habitantes, eles são reconhecidamente importantes na função de encurtar distâncias e solucionar problemas dentro da rotina contemporânea.
Mas, quando usados de maneira inadequada no trânsito, os telefones móveis podem atuar como coadjuvantes de graves consequências, conforme destaca o sargento José Roberto Francelozo, do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM).
"O telefone tira a atenção e ainda ocupa uma das mãos do condutor, que deveria estar segurando o volante. Ele não terá tempo de reagir se uma criança atravessar a rua repentinamente, por exemplo. Pode ser a diferença entre a vida e a morte", comenta.
Tempo de reação
Segundo o especialista em trânsito Marcos Serra Negra Camerini, um veículo que trafega a uma velocidade de 80 quilômetros por hora demora apenas um segundo para percorrer uma distância de 22 metros.
"Em condições normais, o tempo de reação de uma pessoa é de um a dois segundos. Ou seja, ela percorre de 22 a 44 metros até iniciar uma frenagem. Se estiver distraído, pode levar até 10 segundos e o trecho percorrido será muito maior", afirma.
De acordo com ele, quem está ao volante precisa estar com o foco totalmente voltado para o tráfego e nem mesmo o uso de fones de ouvido ou de sistema viva-voz são recomendados. "Dirigir não é só olhar para frente. O motorista precisa estar atento a tudo e preparado para frear ou desviar diante de qualquer surpresa", recomenda.
Na visão do especialista, as pessoas criaram uma dependência excessiva em relação ao aparelho móvel e, quando guiam um veículo, acabam superestimando a habilidade que possuem ao volante.
"O motorista sempre acha que nada vai acontecer e que, diante de uma situação inesperada, vai dar conta de resolver o problema, mesmo quando estiver falando ao celular. O problema é que usar o telefone demanda uma postura ativa, ao contrário de ouvir música, por exemplo. A maioria das pessoas acha que o nível de atenção demandado é o mesmo, mas não é", pontua.
Evite acidentes
Para evitar acidentes, o sargento José Roberto Francelozo, do Pelotão de Trânsito da Polícia Militar (PM), recomenda que os motoristas nunca atendam ao celular e aguardem chegar ao local de destino para retornar a ligação. Em caso de urgência, a orientação é estacionar o veículo em um local próximo e, só então, aceitar a chamada.
"Mas é importante ressaltar que não adianta a pessoa parar o carro em local proibido. Senão, vai apenas trocar uma infração pela outra e poderá ser multado do mesmo jeito", alerta.
Dirigir falando ao celular ou usando fones de ouvido é considerada infração média pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O motorista flagrado nessa situação fica sujeito a multa de R$ 85,13, além da perda de quatro pontos na carteira de habilitação.