Desde 1961, portanto há cinquenta e um anos, eu e minha esposa estamos juntos nas passagens de anos. Claro que sempre rodeados dos familiares e sempre com muita festa. Hoje a familia é formada por mais de 90 parentes, e assim tanto poderia ir na casa de irmãos ou cunhados, mas resolvemos ficar a sós, na tranquilidade do nosso lar. Queríamos propositalmente um certo isolamento e nos programos para ir dormir mais cedo, ou quando muito assistir pela TV os espetáculos dos fógos. Assim, no dia 31, por volta das 23h, já estávamos deitados, então fomos despertados por queima de fogos que a cada minuto ia se intenssificando até que lá pelas 23h40, num rítmo frenético, as bombas estouravam por todo lado iluminando o céu, seguiram-se uns 39 minutos de explosão e apoteose, uma verdadeira loucura. Com certeza absoluta, talvez com exceção da área central, em toda Bauru, em todas ruas, em todas quadras houve queima de fogos à vontade. Entendo a euforia, a alegria de superar um ano de lutas, e a expectativa de um ano novo de muitos benefícios, entendo mas não concordo, não aprovo a queima de dinheiro ganho com tanto sacrifício e suor, mais parecia uma ação de agressividade ao inimigo do que um extravasar um momento de alegria.
Bauru, com aproximadamente uns 380 mil habitantes, deve ter umas 100 mil residências, sejam apartamentos ou casas, e creio que 40% soltaram fogos, ou seja, umas 40.000 famílias. Podemos calcular que pelos preços dos fogos que casa casa gastou por volta de uns R$ 100,00, cujo valor total deve chegar aos quatro milhões de reais. Convenhamos que é um alto valor, muito mal gasto, não precisava tanto. Imaginem só no Estado de São Paulo, cuja população é cem vezes a de Bauru.
Faço uma sugestão ao poder público, à imprensa e todas as autoridades que desenvolvam uma campanha educacional, que façam um planejamento de locais adequados para concentrarem a queima de fogos, longe dos bosque, dos hospitais etc e que evitem o risco de incênciios, principalmente de acidentes com fogos de procedência duvidosa.
Adalgizo Witzel Martins Ferreira