Os cerca de 1.200 trabalhadores do Hospital de Base (HB) e Maternidade Santa Isabel vão paralisar as atividades a partir da manhã da próxima terça-feira, 10 de janeiro, caso não seja realizado o pagamento dos salários referentes a dezembro de 2011 até segunda-feira, dia 9. A informação é do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Bauru (Seessb) ontem, através de nota oficial.
A representação sindical confirma que a nova paralisação já havia sido aprovada em assembleia nos últimos dias de dezembro passado, quando foi suspenso o movimento com o recebimento do 13º salário. Ontem, diante da confirmação pela presidente da interventoria dos hospitais, a médica Telma de Freitas, que não há recursos para pagar o salário de dezembro, o sindicato emitiu nota anunciando a retomada da greve.
"O sindicato convoca todos os funcionários do Hospital de Base e da Maternidade Santa Isabel a paralisarem suas atividades a partir das 7h da próxima terça-feira, dia 10 de janeiro. Conforme já havia sido decidido em assembleia que, caso a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) não efetuasse o pagamento dos salários de dezembro haveria nova paralisação, estamos convocando os trabalhadores a cruzarem os braços até que o pagamento seja realizado", aponta a entidade.
A diretoria do Sindicato solicitou audiência com representantes do Ministério do Trabalho e Emprego para discutir a situação dos funcionários. Para o pagamento do salário do mês passado, a AHB precisa de R$ 1,5 milhão.
A médica Telma de Freitas lamentou a situação. "Apesar de todas as reuniões que foram realizadas, o recurso referente a dezembro não veio, assim como não veio o pagamento previsto até o dia 4 deste mês de janeiro. Com isso, não há como realizar o pagamento dos salários", explicou.
A interventoria contava com R$ 1,5 milhão referente ao mês passado, valor que continua bloqueado em conta judicial em razão do litígio entre MP e governo do Estado. Outro valor, no mesmo montante, também fica represado neste início de ano. Como já argumentou a Secretaria Estadual de Saúde em relação ao mesmo caso, a Procuradoria Jurídica do governo não tem, juridicamente, como aceitar a liberação desses recursos porque isso significaria, em síntese, concordar com a ação da Promotoria que pretende que o Estado responda pelas contas nos hospitais gerenciados pela AHB.
A interventora explica que, de sua parte, não há o que fazer. Administrativamente, ela responde pelo funcionamento do hospital de acordo com fluxo de caixa. "Nós priorizamos, sempre, o salário, o material permanente para funcionar os hospitais e os fornecedores. Vamos levar a situação novamente ao promotor na segunda-feira, quando ele retorna às funções", finalizou Telma.