Bairros

Bauru se despede da professora Malu Pinto

Mariana Cerigatto
| Tempo de leitura: 2 min

Era década de 70 e a antiga Fundação Educacional de Bauru (FEB) dava seus primeiros passos. Nessa época, a professora de língua portuguesa Maria Lúcia Rodrigues Neves César Pinto, mais conhecida como Malu, que faleceu ontem aos 79 anos, já ajudava a erguer a entidade que, mais tarde, seria um dos "embriões" da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

 

Este foi apenas um dos capítulos da participação da bauruense no cenário educacional da cidade. Malu sofria do Mal de Alzheimer (doença degenerativa que afeta a memória) há dez anos. Complicações de seu quadro clínico levaram à derradeira internação, anteontem, com pneumonia e insuficiência respiratória.

 

Por volta das 9h de ontem, a família recebeu a notícia da morte. Malu ficou conhecida como docente dedicada aos estudos voltados à área de linguagem. Ela é descrita por colegas e familiares como sociável e dedicada. "Foi guerreira, apaixonada por tudo o que fez", descreve a filha, Claudia Neves César Pinto.

 

Casada com Luiz César Pinto, já falecido, Malu viveu por algum tempo em Cafelândia (a 83 quilômetros de Bauru). "Foi lá onde minha mãe conheceu meu pai e casou-se com ele. Foi nesta cidade que ela teve seus dois filhos, eu e meu irmão mais novo, Aristeu César Pinto Neto", conta Cláudia. Malu também deixa quatro netos e um bisneto.

 

"Todos tinham respeito por ela. E era uma ótima boêmia. Adorava sentar-se a uma mesa com amigos. Tive o prazer de poder tê-la como amiga e colega profissional", enfatiza a professora Dalva Aleixo, da Unesp.

 

Versátil

 

Com formação em Letras pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Sedes Sapientia, em São Paulo, Malu era exigente, mas mantinha a calma em sala de aula. "Perfeccionista, mas sem ser brava", resume Dalva. "Todos os professores que se formaram na Fundação Educacional de Bauru foram alunos dela.

 

Malu atuou também como professora efetiva do Estado com passagens por escolas como "Antônio Xavier de Mendonça", "Ernesto Monte" e Colégio Técnico Industrial. "Na Unesp, também lecionou técnica redacional. Ela tinha contato com cursos de áreas diferentes, inclusive engenharia", observa Dalva. O corpo de Maria Lúcia Pinto foi velado na Terra Branca e o sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade.

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