Internacional

Ditador ataca Liga Árabe em discurso


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Damasco - Em seu primeiro discurso em seis meses, o ditador Bashar Assad condenou a Liga Árabe por isolar a Síria, chamou os manifestantes de "traidores" e prometeu "derrotar a conspiração estrangeira" contra seu país.

 

Opositores consideraram o discurso uma incitação à violência e à guerra civil. A embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, advertiu que "já passou da hora" de a entidade agir quanto à Síria.

 

Assad acusou a Liga - cujos membros visitam o país como observadores desde dezembro - de hipocrisia. "A situação deles (Liga) é como a de um médico fumante que recomenda a seu paciente largar o fumo, enquanto ele próprio tem um cigarro na mão."

 

No final do ano passado, em meio à escalada da violência na Síria, o bloco árabe suspendeu a Síria e anunciou sanções contra o país. Em dezembro, após acordo com Assad para encerrar a violência na Síria, a Liga enviou um grupo de monitores ao país.

 

Inicialmente, Assad concordou com a missão. Agora, porém, esbravejou contra a Liga. O principal alvo foram as ricas monarquias do golfo Pérsico. "Dinheiro não faz países ou culturas", disse. E questionou "com qual direito outros governos árabes tentam ensinar a Síria sobre democracia e reforma".

 

Também declarou que "nunca ordenou que ninguém abrisse fogo contra manifestantes antigoverno" - prática comum de seu regime desde o início das revoltas, segundo denúncia de grupos de direitos humanos. E foi categórico sobre sua saída do poder: "Quando eu deixar esse posto será pela vontade do povo." Emendou ainda a promessa de nova Constituição e eleições até maio.

 

O discurso na Universidade de Damasco durou quase duas horas e foi transmitido pela TV estatal. Lá, em junho passado, Assad prometeu reformas. Na época, ativistas e a ONU estimavam que, desde março, cerca de 1.600 pessoas haviam morrido na onda de protestos contra o governo no país. Desde então, esse número saltou para 5 mil.

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