Geral

Família questiona morte de jovem

Murillo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

O caso de um adolescente de 15 anos, falecido no final de novembro do ano passado no Hospital de Base (HB) de Bauru ganhou novos contornos nesta semana, quando a família teve acesso ao laudo necroscópico emitido pelo Instituto Médico Legal (IML). Até então, os pais e outras pessoas próximas a João Vitor Borba de Siqueira Lima, 15 anos, acreditavam que o garoto havia falecido pelo fato de seu pulmão ter parado de funcionar. No entanto, conforme o laudo assinado pelo médico legista Alberto Briani, o jovem teve insuficiência respiratória "por pneumonia bilateral e edema com hematoma cerebral, durante tratamento hospitalar".

Indignados com essa nova informação, Rejane Borba de Siqueira, 39 anos, e José Roberto Valério, 54 anos, pais do garoto, procuraram o Jornal da Cidade para denunciar uma série de acontecimentos que consideram absurdos e que poderiam ter debilitado ainda mais a saúde de João Vitor.

"Nosso filho passou por um neurologista que descartou qualquer lesão no cérebro dele. Como é que o laudo do IML pode apontar um edema cerebral?", questiona Rejane. "Outra coisa inaceitável foi, com o baço rompido, o João Vitor esperar mais de 20 horas para ser operado. Mesmo assim, quando ele estava para entrar no centro cirúrgico foi outro problema. Primeiro, as enfermeiras afirmaram que não tinha sangue preparado para ele, depois que faltavam assistentes para o cirurgião. Resultado: o atropelamento foi no sábado de tarde e ele só foi operado às 16h de domingo", detalha.


Perícia

Outra situação relatada pelo casal diz respeito à remoção da moto do local do acidente, antes que o veículo fosse analisado pela Polícia Científica. "Estávamos perto de um policial quando ele fez um telefonema e autorizou que o veículo fosse tirado do local. Isso impossibilitou que a perícia determinasse a velocidade que o atropelador atingiu nosso filho, por exemplo", conta Valério.

"Depois que ele foi operado, transferiram ele para a Hope (espécie de ala intermediária da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base, equipada para pacientes em recuperação pós-cirúrgica), onde ficou de domingo até a quarta-feira. O que nós sentimos foi que os médicos queriam desentubar ele a todo custo, mesmo sem ele aguentar respirar sozinho", finaliza, em prantos, a mãe.

Procurada pelo Jornal da Cidade, a assessoria de comunicação do Hospital de Base afirmou que quando a família de um paciente atendido na instituição tem algum tipo de reclamação, a melhor conduta é procurar o setor de Ouvidoria do hospital e registrar o ocorrido.

Feita esta oficialização, o prontuário do paciente será reavaliado juntamente com os procedimentos aos quais ele foi submetido, os remédios que foram administrados e qualquer outro aspecto que possa ser relevante para esclarecer o caso, explica a assessoria do HB.


____________________

PM: rotina apressada leva perigo ao trânsito

De acordo com levantamento feito pela 1ª Companhia de PM de Bauru, em 2011 foram registrados 192 atropelamentos no perímetro urbano de Bauru, diante de 226 ocorrências da mesma natureza em 2010. No ano de 2011 foram 9 vítimas fatais, contra 10 no ano anterior.

Segundo o Comandante da 1ª Cia., Paulo César Valentim, muitos acidentes - especialmente os atropelamentos - são causados pela mentalidade de "não perder tempo".

"Um exemplo desse comportamento são as pessoas que atravessam as ruas fazendo trajetos em 45 graus. Elas têm a sensação de que é o trajeto mais curto, mas na verdade acabam ficando mais tempo expostas ao perigo", detalha.

"Outro fator muito comum observado pela Polícia Militar são as ocorrências envolvendo pessoas que estavam falando ao celular. De forma geral, enquanto conversam as pessoas se descuidam de fatores básicos de segurança, ou não têm a reação necessária aos acontecimentos ao seu redor, colocando a própria vida em risco", completa o capitão Valentim.


Como foi o acidente

Segundo testemunhas, por volta das 17h do dia 26 de novembro, o jovem saía do Bauru Shopping e atravessava a avenida Adolpho José Pereira na faixa de pedestres quando foi atingido por uma motocicleta e arremessado a cerca de 15 metros. João Vitor foi atendido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado ao Hospital de Base (HB).

Ele sofreu escoriações por todo o corpo, fraturou quatro costelas, teve o pulmão perfurado, sofreu com hemorragias e passou por uma cirurgia para a remoção do baço. Depois de quatro dias internado na UTI do HB, onde respirava com a ajuda de aparelhos, os tratamentos não tiveram a reação esperada e ele acabou falecendo.

Comentários

Comentários