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Palmeiras: O adeus do ?Santo?


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Uma semana depois do anúncio oficial de sua aposentadoria, o ex-goleiro Marcos foi recebido como um legítimo "santo" ontem, na Academia de Futebol do Palmeiras. Ao som de narrações de lances históricos que protagonizou e do hino do clube cantado por ele, Valdivia e Edmundo, o ídolo chegou sorridente e se disse preparado para segurar o choro, mas ficou com a voz embargada e os olhos marejados ao falar sobre a era que acaba de chegar ao fim.

"Vendo todas as homenagens, parecia que tinha morrido (risos). E, na verdade, morri mesmo. Sabe quando morre um parente seu? Você chega em casa, vê a roupa de concentração, sua mala e pensa: rapaz, morri. São dois personagens: o Marcos pai e o Marcos goleiro do Palmeiras. O goleiro morreu mesmo, só vai jogar um jogo de despedida e depois acabou", comparou, jurando não ter arrependimentos.

"Minha marca no futebol acho que foi a identificação com a torcida do Palmeiras, que reconhecia o torcedor que estava dentro de campo. Falei muita besteira, muitas vezes poderia ter ficado quieto, mas pelo menos sempre fui o Marcos. Nunca vim com o discurso pronto, sempre falei o que meu coração mandava", declarou o sempre polêmico Marcos, que creditou às insistentes dores a decisão de abandonar a profissão.

A aposentadoria de Marcos foi anunciada no dia da reapresentação do elenco para a temporada, 4 de janeiro. Na ocasião, ele informou sua decisão ao vice de futebol Roberto Frizzo e ao gerente César Sampaio, responsável por tornar a notícia pública. O pentacampeão encerrou sua vitoriosa trajetória aos 38 anos, com 530 partidas e 12 títulos pelo Verdão. Sua última partida foi o empate por 1 a 1 com o Avaí, na Ressacada, em 18 de setembro do ano passado. Desde então, dores no joelho esquerdo o impediam de treinar e de jogar.

"Eu não consigo mais entrar em forma, fiz algumas partidas acima do peso no ano passado. Todo mundo sabe que um goleiro tem que treinar muito, tem que ser ágil, veloz, e com as dores no joelho eu não conseguia. Sempre briguei muito com a balança. Com as dores, não conseguia fazer isso. O corpo estava pedindo arrego", explicou.

Apesar de cumprir a tarefa imposta a si mesmo com êxito durante boa parte da entrevista, Marcos não conteve a emoção quando lembrou de sua humilde origem e da criação dada por seus pais.

Filho de Ladislau Silveira Reis e Antonia Reis, o ex-jogador sofreu em 2008 com o falecimento de seu pai e revelou que apenas visitou sua mãe em duas ocasiões no ano passado. Marcos arrancou uma sonora salva de palmas ao lembrar da imagem simples que sua família sempre passou. "Acho que meu pai está feliz comigo. Ele era uma pessoa muito simples, como a minha mãe. Vamos ver como vai ser a vida de aposentado agora", declarou o Santo. Em sua homenagem, o Palmeiras deve aposentar a camisa 12.

"É até um pouco de egoísmo da minha parte querer uma camisa só para mim, mas fiquei muito feliz (com a possibilidade de eternizar o número 12). Eu falo que camisa 1 melhor que eu o Palmeiras teve um monte, mas acho que o melhor 12 fui eu (risos)", brincou o ídolo.

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