Em cada região, os moradores elegem uma rua para ser descarte de animais. A preferência é que ela seja uma com grande risco de morte, assim resolve-se o problema definitivamente.
Vim do Araruna, onde a eleita é a Severino Dantas, que margeia a Rondon, onde encontrei duas gatinhas, uma delas chamada Manuela, preta e branca, que estava comigo desde 2005. Muito medrosa, não consegui trazer na mudança. Ela está perdida por lá há 38 dias. Espalhei fotos com telefone nos postes, mas quem está preocupado em salvar a vida de uma simples gata?
Agora do outro lado da cidade, me deparo com a rua Sorocabana, onde o número de gatos descartados é muito maior e o risco aqui não são os carros e os caminhões, mas o trem.
Algumas pessoas colocam restos de comida e água, os que não conseguem usufruir dessa bondade têm que beber água que escorre das ruas ou do córrego podre que segue junto à linha do trem. Gatinhos que ainda nem desmamaram são jogados para morrer. Não fossem suas sete vidas, no que dependessem dos humanos, os gatos já teriam sido extintos.
As leis existem, mas são apenas compilação de artigos e parágrafos que se apenas 1% fosse posto em prática, já diminuía o descaso, a covardia, o egoísmo humano que se acha acima de todas as espécies e que tem mais direito à vida.
A pior deficiência humana é da consciência que se acha tão superior ao ponto de ignorar que somos todos co-dependentes na nave Terra. Isso tem gerado tanto desequilíbrio que um dia serão extintos pela própria ignorância, arrogância e ganância. Toda energia lançada volta multiplicada.
Dora Canaver